Vespa solitária (Eumeninae) transportando lagarta de borboleta recém-capturada (A), e ninho de barro, construído também por vespa solitária nas ferragens de sustentação de um telhado (fotos: Fábio Prezoto).

As vespas, insetos pertencentes ao mesmo grupo que formigas e abelhas, são mais conhecidas por suas dolorosas ferroadas do que por sua ecologia. Na verdade, elas são inimigos naturais de outros insetos que se alimentam de plantas. Uma colônia de vespas do gênero Polybia com 40 mil indivíduos, por exemplo, pode capturar mais de mil lagartas de borboletas por dia.

Estudos sobre a atuação predatória de vespas sociais têm demonstrado o seu potencial para o controle biológico de várias espécies de insetos consideradas pragas agrícolas, o que reforça a importância de investigar melhor as interações ecológicas entre vespas e herbívoros.

As vespas são insetos com dois pares de asas membranosas, ‘cintura fina’ e um ferrão, embora tais características não estejam presentes em todas as espécies. Há cerca de 100 mil espécies conhecidas, amplamente distribuídas pelo planeta, exceto nas regiões mais geladas, e podem ser classificadas, de acordo com sua organização social, em solitárias e sociais. No Brasil, muitas dessas espécies também são chamadas de marimbondos.

O grupo das vespas solitárias, com mais de 98% das espécies conhecidas, inclui as parasitóides e/ou predadoras de um amplo leque de invertebrados, como lagartas, grilos, percevejos, pulgões, baratas e aranhas. As parasitóides põem os ovos sobre as vítimas e suas larvas alimentam-se do corpo destas.

A palavra inglesa wasp (que deu origem a ‘vespa’) significa ‘carregador de cadáver’, e provavelmente foi atribuída a tais insetos porque algumas espécies carregam as presas para seus ninhos. Entre as vespas solitárias há desde espécies com poucos milímetros de comprimento, como as do gênero Trichogramma, que parasitam ovos de outros insetos, até algumas com mais de 5 cm, como as do gênero Pepsis, que caçam aranhas.

Algumas vespas solitárias põem seus ovos sobre as vítimas no ambiente natural, como Cotesia flavipes, parasitóide da lagarta Diatraea saccharalis (conhecida como broca da cana-de-açúcar), mas outras precisam de um ninho para abrigar a prole. Para isso, podem ocupar cavidades pré-existentes (saliências no solo ou em troncos), cavar orifícios no solo ou construir ninhos com barro – estes associados, com freqüência, a construções humanas.

Fábio Prezoto, Simone Alves de Oliveira Cortes e André Carneiro Melo
Programa de Pós-graduação em Ciências Biológicas (Comportamento e Biologia Animal),
Laboratório de Ecologia Comportamental
Universidade Federal de Juiz de Fora (MG)

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