Uma das estratégias atuais para identificar eventuais sinais transmitidos por civilizações extraterrestres é o uso de radiotelescópios que captam sinais de rádio, como os da imagem acima, instalados no Novo México (EUA).

O projeto Pesquisa por Inteligência Extraterrestre (Seti, na sigla em inglês) tem por objetivo buscar sinais de inteligência fora de nosso planeta. Os principais instrumentos utilizados por sua equipe são radiotelescópios que varrem o universo – já há algumas décadas – em busca de sinais que indiquem a existência de civilizações, em algum ponto do espaço exterior, que desejam se comunicar. Até o momento o estudo não rendeu resultados animadores, mas a pesquisa prossegue.

Mais recentemente, os radioastrônomos ligados ao projeto e impacientes com a demora na obtenção de resultados ponderaram que talvez não seja suficiente permanecer em um papel passivo, de rádio-escuta, apenas recebendo e analisando os sinais. Seria melhor, segundo eles, tentar enviar mensagens a supostos extraterrestres.

Essa postura mais ativa (o novo programa é chamado, em inglês, de Active Seti) teria a vantagem de selecionar regiões que sabidamente têm sistemas planetários que poderiam abrigar vida inteligente. Devemos lembrar que há muito tempo foram enviados ao espaço sinais de rádio e de televisão, mas estes, além de fracos, têm um conteúdo heterogêneo e duvidoso em termos de comunicação intergaláctica.

A idéia de transmitir sinais, porém, não agradou a todos os cientistas. Para alguns, existe certa dose de risco, pois as mensagens, se captadas, poderiam não agradar aos ‘ouvintes’. Os argumentos usados apóiam-se principalmente na suposição de que, apesar de nossas fraternas intenções, não se pode prever como os alienígenas reagiriam ao estímulo.

Tal preocupação foi resumida na declaração de certos participantes de um congresso realizado em 2006 em Valência, na Espanha: “Não há garantia de que todas as civilizações extraterrestres serão benignas, e de que, mesmo que o contato fosse feito com uma civilização pacífica, não houvesse repercussões graves.” Isso foi dito seriamente e os demais cientistas reunidos acataram o aviso. Portanto, ainda não há transmissões, pelo menos oficiais, que possam agilizar o tão desejado encontro.

Inversão do problema
Qual a razão por trás dessa cautela exagerada? Para tornar a situação um pouco mais concreta, vamos inverter o problema. Um belo dia, chega à Terra uma mensagem genuinamente extraterrestre. Depois de compreender a sintaxe, traduzir e interpretar o texto, concluímos que existe ali causa para incômodo. Após as infinitas discussões de praxe, alguém pode acreditar que optaríamos por organizar uma expedição até a fonte da mensagem para tirar satisfações pessoalmente? Nesse caso, a missão teria que dispor não só da tecnologia adequada a essa epopéia, mas também de uma tripulação (incluindo seus descendentes) preparada para passar milênios viajando.

Para exemplificar, digamos que a mensagem tenha partido da região de Proxima Centauri, a estrela que fica mais perto do Sol e do sistema que abriga a Terra. Só a viagem de ida até essa estrela, que, segundo os astrônomos, provavelmente não tem à sua volta um sistema de planetas, demoraria 23 mil anos. Isso, em termos humanos, representaria quase mil gerações, muito mais que as registradas desde as primeiras civilizações humanas, na Mesopotâmia. Seguramente esse intervalo seria suficiente para o esquecimento de qualquer desavença ou incidente diplomático. E se o planeta causador da discórdia estivesse a duas vezes essa distância? Risível, não?

Há que considerar ainda a possibilidade de que uma das civilizações envolvidas no qüiproquó tenha se extinguido nesse intervalo. O fato é que as distâncias envolvidas proíbem qualquer averiguação direta, a menos que as velocidades das espaçonaves possam atingir valores muito maiores que aqueles com os quais os físicos e engenheiros trabalham atualmente.

O mais curioso é constatar que uma espécie dita inteligente como a nossa – que, em sua grande maioria, não se preocupa muito com o próprio planeta – possa expressar tamanho tato para com mundos ainda desconhecidos. 

Franklin Rumjanek
Instituto de Bioquímica Médica,
Universidade Federal do Rio de Janeiro
[email protected]

 

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