Pela primeira vez o espaço aéreo nacional está protegido por um radar brasileiro legítimo, o Saber M60, capaz de varrer 60 km de raio e até 5 mil metros de altitude. A antena, que localiza e determina a distância de objetos por meio da emissão de ondas radioelétricas, foi desenvolvida por pesquisadores do Departamento de Microondas Ópticas (DMO) da Faculdade de Engenharia Elétrica de Computação (FEEC), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em parceria com a empresa fabricante dos equipamentos, a OrbiSat, da Amazônia.

O Saber M60 pode acompanhar até 40 alvos ao mesmo tempo, e informa as coordenadas em três dimensões do espaço aéreo abaixo de 5.000 m. O sucesso obtido com o equipamento levou o exército a solicitar um novo radar, desta vez com uma varredura maior (foto: Exército Brasileiro).

Liderados pelo professor Hugo Enrique Hernández Figueroa e com o apóio do Ministério da Ciência e da Tecnologia, alunos de pós-graduação do DMO tiveram a chance de contribuir na criação de um radar para auxiliar o Exército Brasileiro na proteção das fronteiras com países como Colômbia, Bolívia e Venezuela.

Além disso, o Saber M60 tem a capacidade de acompanhar até 40 alvos ao mesmo tempo, e informa as coordenadas em três dimensões do espaço aéreo abaixo de 5 mil metros. O equipamento foi testado e aprovado pelos militares em julho do ano passado, durante os Jogos Pan-americanos. O sucesso levou o Exército a solicitar um novo radar, desta vez com uma varredura de 200 km de raio.

Hugo Figueroa afirma que a parceria da faculdade com a empresa foi essencial para o desenvolvimento do Saber M60. Além disso, os estudantes puderam lidar com uma tecnologia que existe em poucos países, como Estados Unidos, Inglaterra, Rússia, França, Israel e agora no Brasil. A união deu tão certo que a OrbiSat, da Amazônia, quer garantir o controle do tráfego aéreo com a fabricação de um radar gigante, visando atingir 14 mil metros e varrer um raio de 450 km.

Figueroa acrescenta ainda que as oportunidades do mercado na área de microondas e comunicações sem fio tendem a crescer cada vez mais, mas faltam profissionais. “Existe uma demanda reprimida no mercado nacional, portanto as expectativas são bastante otimistas. Por outro lado, o desenvolvimento das novas tecnologias deverá estimular a criação e o crescimento de empresas que atuam em outros setores, como eletrônica, engenharia de microondas e antenas, programas de computador, metalurgia, entre outros”, diz.

Além do radar, a equipe do DMO também está participando das pesquisas com aplicações em fotônica, no Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica (CePOF), com o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Juliana Marques
Ciência Hoje / RJ

 

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