A busca por combustíveis alternativos, que permitam reduzir a dependência dos derivados de petróleo e a emissão de poluentes para a atmosfera, estimula muitos estudos científicos. O objetivo é desenvolver combustíveis que possam ser utilizados nos veículos existentes sem a necessidade de maiores alterações em seus motores.

Um termo muito usado para combustíveis originados de fontes renováveis é ‘biocombustível’, que tem forte ligação com o conceito de sustentabilidade, segundo o qual o aproveitamento dos recursos naturais para atender às necessidades atuais não deve comprometer as necessidades das gerações futuras.

Os biocombustíveis são obtidos a partir da biomassa, nome dado à matéria orgânica existente em um ecossistema ou em uma população animal ou vegetal. Como plantas e animais podem ser continuamente reproduzidos, pode-se considerar que são fontes renováveis de energia.

As plantas, por meio da fotossíntese, transformam a energia solar que recebem em biomassa, e os animais a geram pela ingestão de matéria orgânica (de plantas ou outros animais).

Nos últimos 10 anos, o número de estudos científicos e tecnológicos sobre biocombustíveis cresceu de maneira exponencial

São diversos os tipos de biocombustíveis que podem ser produzidos a partir da biomassa, como o álcool (etanol e metanol), o biodiesel, o bioquerosene e outros, e as fontes para essa produção podem ser tanto de origem animal (por exemplo, sebo bovino ou gordura de frango) quanto vegetal (por exemplo, óleos vegetais e cana-de-açúcar).

Nos últimos 10 anos, o número de estudos científicos e tecnológicos sobre biocombustíveis cresceu de maneira exponencial, segundo o banco de dados Web Knowledge, do Instituto para a Informação Científica (ISI, na sigla em inglês).

Quadro ISI
Número de artigos que têm ‘biocombustível’ como palavra-chave publicados em periódicos nacionais e internacionais no período de 1998 a 2010. (fonte: Web Knowledge/ ISI)

Uma pesquisa mais refinada nesse banco de dados revela que os setores em que são realizadas mais pesquisas sobre esse tema são ‘combustíveis e energia’, ‘química’, ‘engenharia’ e ‘biotecnologia e microbiologia aplicada’.

A maior concentração nessas áreas talvez esteja ligada à otimização dos processos de produção dos combustíveis derivados de biomassa, visando melhorar a relação custo/benefício e a competitividade frente aos combustíveis fósseis e buscando uma cadeia sustentável de produção.

O etanol e o biodiesel são dois exemplos de biocombustíveis já utilizados na frota veicular brasileira e com normatização estabelecida no país. No caso do biodiesel, pode-se dizer que seu uso, puro ou misturado ao óleo diesel, não requer modificações nos motores de ciclo Diesel. No entanto, muitos estudos ainda são necessários para verificar a durabilidade dos componentes veiculares que entram em contato com esse tipo de biocombustível.

A maior concentração nessas áreas talvez esteja ligada à otimização dos processos de produção dos combustíveis derivados de biomassa

Já a utilização de etanol em motores ciclo Otto destinados a gasolina requer que o motor e seus componentes sejam ajustados para evitar perda de rendimento, entupimento de bico injetor e problemas de corrosão.

Atualmente, a gasolina comercializada no Brasil contém entre 18% e 25% de álcool anidro (sem água), e esses percentuais são alterados periodicamente em função da produção e para maior controle dos estoques e dos preços dos combustíveis.

No caso do biodiesel, desde 1º de janeiro de 2010 todo o óleo diesel comercializado no Brasil deve conter 5% de biodiesel, segundo a Resolução nº 6 (de 26/10/2009) do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). 

 

Você leu apenas o início do artigo publicado na CH 285. Clique no ícone a seguir para baixar a versão integral. PDF aberto (gif)

Lílian Lefol Nani Guarieiro
Centro Integrado de Manufatura e Tecnologia (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial)
Instituto de Química (Universidade Federal da Bahia)
Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Energia e Ambiente
Ednildo Andrade Torres
Escola Politécnica e Centro Interdisciplinar de Energia e Ambiente (Universidade Federal da Bahia)
Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Energia e Ambiente
Jailson Bittencourt de Andrade
Instituto de Química e Centro Interdisciplinar de Energia e Ambiente (Universidade Federal da Bahia)
Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Energia e Ambiente

Matéria publicada em 19.09.2011

COMENTÁRIOS

Os comentários estão fechados

Open chat