Estudo traça perfil de ginastas

 

A ginasta brasileira Jade Barbosa durante a realização de ginástica de solo no Pan-2007, Rio de Janeiro (foto: Wilson Dias/ Agência Brasil).

Diz o senso comum que a prática de ginástica olímpica (atualmente denominada ginástica artística) interfere na estatura e na composição corporal de crianças com idade de sete a 12 anos. O professor de educação física João Carlos Oliva, da Faculdade de Educação Física da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, investigou o tema durante a realização de sua tese de doutorado, apresentada à Universidade do Porto, Portugal, e concluiu que a baixa estatura favorece a opção pela ginástica artística, mas não interfere no desenvolvimento infanto-juvenil.

Oliva foi campeão brasileiro e sul-americano de ginástica artística por equipe – terceiro lugar no Pan-americano de Indianápolis, Estados Unidos, em 1987 – e treinou a seleção brasileira dessa modalidade esportiva de 1988 a 1994.

Durante quatro anos, Oliva – que tem 1,69 m – comparou crianças que praticavam ginástica artística com outras da mesma faixa etária que não se dedicavam a essa atividade. No total, analisou 240 crianças. “Para o estudo, procuramos crianças com o mesmo perfil socioeconômico e com índices de massa corporal semelhantes”, explica Oliva.

Segundo ele, os baixinhos se socializam melhor na ginástica, assim como os grandalhões fazem isso no vôlei ou basquete. ”A baixa estatura facilita o bom desempenho na ginástica, embora não seja garantia de sucesso na modalidade”, adverte. Possíveis pequenos problemas de crescimento entre praticantes de ginástica artística podem estar relacionados com dieta inadequada, para que mantenham peso reduzido em épocas de treinamento e apresentem alto rendimento esportivo.

Além de produzir músculos desenvolvidos e bem trabalhados, essa modalidade esportiva de alto impacto acelera a massificação óssea. “Isso reduz o risco de lesões e de osteoporose, graças ao aumento da massa mineral óssea”, afirma. Oliva destaca que a ingestão adequada de nutrientes melhora a qualidade dos ossos.

Em geral, diz ele, a alimentação de crianças centra-se em macronutrientes, como proteínas, enquanto elas necessitam mais de ferro, cálcio e vitaminas do complexo B. “O desconhecimento de uma dieta adequada pode levar alguns pais a produzir déficit alimentar nos filhos”, ressalva.

Com seu trabalho, Oliva procura conscientizar técnicos e pais sobre a importância da alimentação e a necessidade de repouso na preparação de atletas. O pesquisador pretende dar prosseguimento ao seu estudo, investigando jovens na faixa dos 16 aos 20 anos. 

Luan Galani
Especial para Ciência Hoje/PR 

 

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