Plantas medicinais combatem alergia

A sucupira e a orelha-de-burro vêm sendo utilizadas tradicionalmente pela população de Alagoas para tratamento de inflamações, incluindo crises alérgicas. Agora, o efeito das duas plantas foi comprovado cientificamente em pesquisa do Laboratório de Biologia Celular e Molecular, do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Além de confirmar a sabedoria popular, o estudo ganha ainda mais importância frente ao dado divulgado recentemente pelo Ministério da Saúde de que o estado concentra o maior índice de asma alérgica do Nordeste.

Modelos in vivo e in vitro foram utilizados para avaliar o potencial anti-inflamatório, antialérgico e analgésico do extrato bruto e de frações da sucupira (Bowdichia virgilioides) e da orelha-de-burro (Clusia nemorosa). “De início, utilizamos extratos de maneira semelhante à medicina popular. A partir daí, fracionamos esses extratos para poder determinar as substâncias responsáveis pelo efeito desejado”, explica Emiliano de Oliveira Barreto, coordenador da pesquisa. Ele conta que a população local costuma utilizar o chá (processo de decocção) da casca de ambas as plantas para combater a alergia e que os resultados obtidos pela pesquisa revelaram que as plantas contêm, de fato, substâncias capazes de suprimir o processo inflamatório.

O processo inflamatório alérgico apresenta-se como um mecanismo de defesa do organismo às agressões sofridas. Uma das etapas da reação inflamatória é um acúmulo de leucócitos no local inflamado. Utilizando um modelo experimental de inflamação alérgica, os pesquisadores verificaram que tanto a sucupira quanto a orelha-de-burro inibiram esse acúmulo de leucócitos.

Após a confirmação das propriedades anti-inflamatórias, a equipe agora estuda os mecanismos moleculares envolvidos na inibição da mobilização de leucócitos. E investiga, em outros estudos, as propriedades analgésicas dessas plantas. “Além disso, estamos empenhados em demonstrar que elas não possuem efeitos tóxicos, fato importante para garantir o seu uso seguro, bem como de seus derivados”, informa o pesquisador.

 

Sheila Kaplan
Ciência Hoje/ RJ

Texto publicado na CH 266 (dezembro/2009)

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