Cientista maluco. É a primeira coisa que vem à cabeça da maioria das pessoas que olha pela primeira vez para o químico inglês Martyn Poliakoff, professor da Universidade de Nottingham e conhecido pela série de vídeos sobre química The Periodic Table of Videos que, na internet, já conquistou mais de 15 milhões de espectadores de 200 países. Sim, a aparência do professor sugere esse estereótipo. Mas basta Poliakoff começar a falar para logo essa imagem cair por terra.

Além de manter esse enorme trabalho de divulgação científica, há 25 anos Poliakoff dedica seu tempo de pesquisa aos chamados fluidos supercríticos, alternativa ambientalmente sustentável aos solventes fósseis usados hoje pelas indústrias.

Em reconhecimento ao trabalho pioneiro no campo da química verde e ao papel de divulgador da ciência, Poliakoff foi nomeado o próximo Secretário de Relações Internacionais da Royal Society de Londres, uma das instituições científicas mais tradicionais e respeitadas do mundo.

Em maio, ele esteve no Brasil para divulgar seu trabalho na 34ª Reunião Anual de Química, em Florianópolis. Nesta entrevista, exclusiva para a Ciência Hoje, o professor fala sobre seu projeto de divulgação científica, sua pesquisa com os fluidos supercríticos e aponta perspectivas e desafios para uma química mais sustentável.

Quando e como o senhor começou o seu trabalho de divulgação científica com vídeos na internet?
O jornalista Haran Brady começou a fazer vídeos sobre química na universidade onde eu trabalhava, em 2007. Pouco depois de um ano, ele fez um vídeo comigo e teve a ideia de criar uma série de vídeos sobre a tabela periódica, que ganhou o nome de The Periodic Table of Videos. Depois que esgotamos todos os elementos da tabela, em menos de cinco semanas, passamos a fazer vídeos sobre todo o tipo de coisas relacionadas à química.

“Penso que a popularização da ciência é fundamental e a encaro como um dever de qualquer cientista”

O projeto The Periodic Table of Videos foi a sua primeira experiência com divulgação científica?
Foi a primeira vez que usei vídeos, mas eu já dou palestras para crianças de escola há muito tempo. A minha primeira foi na Índia, no início dos anos 1970. Penso que a popularização da ciência é fundamental e a encaro como um dever de qualquer cientista. 

Muitas pessoas veem no senhor o estereótipo do cientista maluco, por causa do seu corte de cabelo incomum. Alguma vez isso já foi um obstáculo para o seu trabalho de divulgação científica?
Não, minha aparência tem sido muito útil para minha carreira científica, porque as pessoas se lembram de mim. Elas se lembram de mim com mais frequência do que eu me lembro delas (risos). Mas falam todo tipo de coisas sobre o meu cabelo. Algumas pensam que é peruca! O Brady acha que, no final das contas, minha aparência é boa porque ajuda a desconstruir o estereótipo do cientista maluco, pois, quando as pessoas assistem aos nossos vídeos, percebem que o que dizemos faz sentido.

Agora que o senhor foi nomeado Secretário de Relações Internacionais da Royal Society de Londres, vai continuar a fazer os vídeos?
Sim, com certeza. Quando a Royal Society fez o anúncio, foi mencionado o Periodic Videos. Uma das regras da instituição é difundir a ciência para o público leigo. O próprio novo presidente da Royal Society, Paul Nurse, que ganhou o prêmio Nobel de Medicina em 2001, fez um programa sobre ciência que foi ao ar na BBC logo depois da sua posse.

O que o senhor tem em mente para o novo cargo? Pretende estabelecer alguma colaboração científica com o Brasil?
Bem, o meu papel é promover colaborações, e um dos motivos de eu ter vindo para o Brasil foi ter uma compreensão maior da ciência feita aqui. Mas um dos países com que, particularmente, eu gostaria de estabelecer conexão é a Rússia, porque eu falo russo.

Também tenho um grande interesse na ciência da África. Uma das oportunidades que vejo é incrementar as ligações entre Brasil e África, pois penso que têm muitos problemas em comum. É importante dizer também que parte do meu dever como Secretário de Relações Internacionais é encorajar outros colegas da Royal Society a colaborar com outros países.

Como o senhor entrou em contato com a chamada ‘química verde’?
Minha linha de pesquisa principal é o estudo dos fluidos supercríticos, que podem ser usados como solventes mais limpos em reações químicas. Comecei a estudar fluidos supercríticos antes de a química verde ter sido inventada. Quando esta começou, por volta da década de 1980, havia a necessidade de obter solventes mais limpos, e vi ali uma oportunidade.

Você leu apenas o início da entrevista publicada na CH 284. Clique no ícone a seguir para baixar a versão integral. PDF aberto (gif)

Sofia Moutinho
Ciência Hoje/ RJ

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