Qual a diferença entre teoria e lei? Por que a seleção natural de Darwin é teoria?

Em uma conversa com amigos podemos levantar uma teoria sobre os motivos da nossa grande derrota para a alemanha na última copa do mundo de futebol, sobre os rumos da crise econômica e outros infinitos temas relevantes. Seriam essas teorias válidas? Claro que sim! Mas não são teorias científicas. Na ciência, chamamos de teoria o que é fortemente embasado por diversas pesquisas feitas de forma independente por cientistas ao longo do tempo. Não é um mero palpite de mesa de bar. Além disso, uma teoria científica não chega à maturidade depois de fazer 18 anos e se transforma em lei.

Enquanto as teorias científicas explicam fenômenos da natureza, as leis são descrições generalistas desses fenômenos

Teoria não é uma versão menos confiável que uma lei, longe disso. Enquanto as teorias científicas explicam fenômenos da natureza, as leis são descrições generalistas desses fenômenos. São termos bem diferentes! Por exemplo, a evolução é uma teoria. Mas não é uma teoria qualquer. Segundo o biólogo alemão Ernst mayr (1904­2005), a evolução é uma teoria que se transformou em um fato devido à imensa quantidade de evidências que a suportam. É um fato, assim  como o fato de a Terra circular ao redor do Sol. Uma das suas mais importantes forças propulsoras é a teoria da seleção natural.

Enquanto podemos considerar a evolução como o fato de que o mundo não é constante e de que os organismos são transformados ao longo do tempo, a teoria da seleção  natural seria o mecanismo que explica, em grande parte, como essas constantes e graduais transformações ocorrem. As evidências de que a seleção natural é real e de extrema importância para a evolução biológica são incontáveis e de diversas áreas do conhecimento, desde históricas (registro fóssil) até experimentais (como descrito em bactérias e peixes). Então, podemos afirmar que sim, a seleção natural é uma teoria científica, e isso não diminui sua importância e seu embasamento científico. Bem diferente daquelas teorias que inventamos todos os dias…

Você acabou de ler um texto publicado na CH 333. Clique aqui para acessar uma versão digital parcial da revista e ler outros textos da edição.
 

Luiz Fernando Jardim Bento
Museu Ciência e Vida
Fundação Centro de Ciências e Educação Superior à Distância do Estado do Rio de Janeiro

Matéria publicada em 04.03.2016

COMENTÁRIOS

  • Caetano Amorim

    Por gentileza, cita pra gente alguma coisa cientificamente comprovando e que foi catalogada que a Teoria Darwinista foi provada.

    Publicado em 11 de janeiro de 2019 Responder

    • Carlos

      Caetano, o exemplo mais comum, até por ser observável, é o surgimento de superbactérias resultantes de efeitos antibióticos. Nesse exemplo, que pode ser facilmente encontrado em incontáveis artigos, observa-se que bactérias sobreviventes a ataques de antibióticos tendem a gerar descendentes mais resistentes ou até imunes ao produto. Além desse exemplo, temos ainda o caso dos tentilhões de Galápagos, observado por Darwin, que consiste na presença de uma espécie de tentilhão por ilha do arquipélago, o que serviu de base para a ideia de que comunidades pertencentes a uma mesma espécie sob isolamento geográfico podem, ao longo dos milhares de anos, gerar diferentes espécies.

      Publicado em 11 de janeiro de 2019 Responder

      • Rafael Puertas de Miranda

        Sem contar o exemplo demolidor da experiência com o peixe esgana-gatas, nos EUA.

        Publicado em 14 de janeiro de 2019

  • Gabeiel

    Achei que faltou falar mais sobre lei.

    Publicado em 11 de janeiro de 2019 Responder

  • Andre

    Já leu o livro a caixa preta de darwin?

    Publicado em 11 de janeiro de 2019 Responder

  • Aloisio

    Richard Dawkins….livro O Maior espetáculo de Terra é fantástico e detalha tudo sobre evolução!!!

    Publicado em 13 de janeiro de 2019 Responder

    • Rafael Puertas de Miranda

      Sensacional, mesmo!

      Publicado em 14 de janeiro de 2019 Responder

    • Anônimo

      Já li, excelente

      Publicado em 15 de janeiro de 2019 Responder

  • EDUARDO GESUALDE M DE CASTRO

    Creio que há um problema de uso da língua. Não explicou o motivo da “teoria da evolução” não se transformou, isto é, não passou a ser chamada de lei uma vez que “Além disso, uma teoria científica não chega à maturidade depois de fazer 18 anos e se transforma em lei”. Deveria ter mencionado sobre o método científico. Penso que vale complementar estas ideias.

    Publicado em 14 de janeiro de 2019 Responder

  • José Renato

    Legal! Mas assim como dito em outros comentários, ia ficar mais completo se desse uma pincelada no conceito de lei científica.

    No mais, parabéns.

    Publicado em 14 de janeiro de 2019 Responder

  • Leonardo

    Se o homem evoluiu lentamente do macaco, não era para haver milhões de esqueletos intermediários? Porque é tão difícil encontrar um ou outro e nunca alguns que sejam realmente intermediários (elos perdidos)?

    Publicado em 16 de janeiro de 2019 Responder

Envie um comentário

CONTEÚDO RELACIONADO

Razões para aproximar a tecnologia da sala de aula

Conclusões do diálogo entre uma professora do Ensino Médio e uma pesquisadora especialista em microbiologia.

Na Estante

Resenha do livro Como as democracias morrem, de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt.