Energia solar para desinfecção da água

Um sistema de baixo custo para desinfecção da água captada de poços artesianos, cachoeiras, nascentes e até da chuva por meio dos raios ultravioletas. Este é o projeto desenvolvido por Lucas Rafael do Nascimento, aluno do curso de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), sob a orientação do professor Ricardo Ruther, do Laboratório de Energia Solar da UFSC. O emprego da tecnologia possibilitará o tratamento da água em locais onde não há energia elétrica.

Trata-se de um compartimento acondicionador, feito de PVC, composto por uma lâmpada ultravioleta germicida e alimentada por energia solar. O equipamento pode ser de pequeno porte, montado de acordo com as necessidades do usuário. O processo de desinfecção baseia-se na capacidade da radiação ultravioleta de atingir o DNA (material genético) das células dos microrganismos, causando sua destruição.

O Sol, fonte inesgotável de energia (foto: RonAlmog).

“Um fluxo contínuo de água passa através de um tubo de PVC, que tem em sua estrutura uma lâmpada emissora de radiação ultravioleta com comprimento de onda de 254 nm. Essa luz, ao penetrar as células e ser absorvida pelo ácido nucléico, afeta o DNA das mesmas, destruindo assim os microrganismos. Isso ocorre porque a absorção da luz ultravioleta pelo DNA provoca alterações da informação genética que incapacitam a reprodução da célula”, explica Ruther.

O pesquisador ressalta que, embora esse sistema de desinfecção não remova as partículas da água, ele inativa qualquer matéria orgânica com potencial patogênico.

“Essa tecnologia já é largamente utilizada em vários países, inclusive no Brasil, para diversas finalidades, desde o tratamento de águas de esgotos e piscinas e a desinfecção de alimentos e embalagens até a desinfecção da água para consumo humano. A diferença é que, neste projeto, são usados materiais facilmente encontráveis no comércio em todas as regiões do país. Além disso, a fonte de energia que alimenta esse dispositivo, o Sol, é renovável e altamente disponível”, esclarece Ruther.

O pesquisador revela que, a partir da montagem dos primeiros protótipos, resultados satisfatórios deverão ser obtidos em 2008, para então o sistema ser produzido em larga escala. Os primeiros estudos apontam um custo de aproximadamente R$ 5 mil por protótipo. 

A Redação
Ciência Hoje/RJ 

 

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