O Exame Nacional de Ensino Médio – mais conhecido pela sigla Enem – é, atualmente, a principal avaliação educacional brasileira e o instrumento mais usado para ingresso no ensino superior no país. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia vinculada ao Ministério da Educação (MEC), é o órgão responsável por todas as etapas do exame, desde a elaboração das questões – passando pela complexa logística de distribuição e aplicação das provas – até a correção, o cálculo da nota e a divulgação dos resultados.
O Enem é o segundo maior exame de acesso ao ensino superior do mundo, ficando atrás apenas do Gaokao, da China. Ano passado, o Enem registrou mais de 4,8 milhões de inscrições confirmadas, enquanto o Gaokao contou com pouco mais de 13 milhões de inscritos. Apesar de sua ampla difusão e relevância social, muitos ainda desconhecem como o Enem surgiu, por que se tornou tão importante e, sobretudo, como sua nota é calculada.
Criado em 1998, o Enem nasceu com uma finalidade eminentemente diagnóstica: avaliar competências desenvolvidas ao longo da educação básica (da educação infantil até o ensino médio), fornecendo subsídios para políticas públicas. Nesse período inicial, o exame tinha 63 questões objetivas e uma redação, sendo aplicado em um único dia e tendo participação voluntária.
O número de instituições que usavam o Enem como critério de seleção de estudantes era reduzido, e seu impacto sobre o acesso ao ensino superior ainda era limitado.
A partir de 2009, o exame passou por profunda reformulação, que ampliou significativamente seus objetivos e o transformou em um instrumento nacional de acesso ao ensino superior. Nessa reestruturação, foram introduzidas quatro áreas do conhecimento: i) linguagens, códigos e suas tecnologias; ii) ciências humanas e suas tecnologias; iii) ciências da natureza e suas tecnologias; iv) matemática e suas tecnologias. Totalizava 180 questões objetivas, mais a redação. Além disso, foi adotada a chamada teoria da resposta ao item (TRI) como modelo psicométrico para cálculo das notas.
Essa mudança possibilitou reduzir a influência do acerto ao acaso, bem como maior precisão na estimação da proficiência dos participantes, e, sobretudo, a comparabilidade entre notas – mesmo quando obtidas em provas diferentes.