A nova corrida espacial: uma perspectiva tecnológica

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A corrida espacial foi impulsionada – e também dificultada – pelas tensões políticas e militares que surgiram, no fim da Segunda Guerra Mundial, entre Estados Unidos e União Soviética. Décadas se passaram até que essas barreiras ideológicas fossem vencidas e se iniciasse uma cooperação (ainda que tímida) entre essas duas potências mundiais. Hoje, a exploração do espaço voltou a ganhar momento, com o surgimento de novas agências espaciais e empresas privadas que passaram a atuar nesse campo. Uma nova corrida espacial já começou.

CRÉDITO: FOTO JSC/NASA

O desejo da exploração espacial sempre esteve presente na cultura humana, na forma de literatura ficcional, com viagens ao redor da Lua, como relatou o escritor francês Júlio Verne (1828-1905); por meio da matemática, cujo caso emblemático é a equação do foguete do cientista russo Konstantin Tsiolkovski (1857-1935); e, mais recentemente, por meio de planos de colonização e mineração de outros mundos.
Tsiolkovski, denominado ‘pai da equação do foguete’, apesar de suas contribuições apenas teóricas, indicou o caminho para a construção das primeiras naves espaciais em três seções, onde o piloto e o copiloto ficariam na primeira delas (figura 1). Também calculou a velocidade horizontal de um foguete com duas partes (ou estágios) para que ele entre em órbita terrestre.

Figura 1. Selo comemorativo em homenagem a Tsiolkovski

CRÉDITO: LSDSL/WIKIMEDIA
COMMONS (SELO)

Em 16 de março de 1926, o físico norte-americano Robert Goddard (1882-1945) colocou à prova o primeiro artefato que poderia ser denominado foguete, o qual usava uma mistura de gasolina e oxigênio como combustíveis líquidos, para oferecer o empuxo necessário para alcançar seus humildes 12,5 metros em 2,5 segundos.
Na mesma época, na Alemanha nazista, Whernher von Braun (1912-1977) criou o V-2, o primeiro foguete a alcançar os limites da atmosfera externa e que foi usado como arma (míssil guiado) na Segunda Guerra Mundial (figura 2). Em outubro de 1946, depois do fim do conflito, esse engenheiro aeroespacial acoplou câmera fotográfica a um V-2. As imagens, obtidas a 106 km de altitude em relação ao nível do mar, mostravam o formato redondo da Terra.

Figura 2. Foguete V-2, desenvolvido por von Braun

CRÉDITO: BUNDESARCHIV, BILD/WIKIMEDIA
COMMONS

As imagens, obtidas a 106 km de altitude em relação ao nível do mar, mostravam o formato redondo da Terra

O engenheiro da Marinha dos Estados Unidos Milton Rosen (1915-2014) inspirou-se nos V-2 para produzir os foguetes norte-americanos Viking, feitos de alumínio e capazes de carregar carga (payload) maior que a do congênere alemão e dos então foguetes de sondagem.
O Viking n. 4 mostrou seu poder de voo em 11 de maio de 1950, ultrapassando 168 km, indicando que os Estados Unidos tinham obtido êxito na engenharia reversa dos V-2. Já era época da Guerra Fria, tensão político-militar entre os Estados Unidos e a então União Soviética (URSS) que duraria até a queda do muro de Berlin, em 1989.
Depois do fim da Segunda Guerra, muitos cientistas alemães tinham sido cooptados pelos Estados Unidos e pela URSS para trabalharem em projetos de aeronáutica, armamento nuclear, medicina e armas biológicas. Essas operações de recrutamento – conhecidas como paperclip, nos Estados Unidos, e Osoaviakhim, na URSS – eram justificadas por cada uma das partes como pagamento de indenização da guerra.

Depois do fim da Segunda Guerra, muitos cientistas alemães tinham sido cooptados pelos Estados Unidos e pela URSS para trabalharem em projetos de aeronáutica, armamento nuclear, medicina e armas biológicas

Nesse contexto, ter boa equipe de cientistas era importante não só para o desenvolvimento científico, tecnológico e militar, mas também para fazer propaganda da superioridade do capitalismo sobre o socialismo e vice-versa.

Reações ao Sputnik

A corrida espacial era cara e, portanto, insustentável. O mais racional seria a cooperação. Oportunidade para isso surgiu com a morte do líder soviético Joseph Stalin (1878-1953), por meio da celebração do Ano Internacional Geofísico, proclamado pelo Conselho Internacional da União Científica e financiado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Mas o presidente norte-americano à época, Dwight Eisenhower (1890-1969), saiu na frente, indicando o desejo de pôr um satélite em órbita da Terra entre 1º de julho de 1957 e 31 de dezembro do ano seguinte, o que foi visto como afronta pelos líderes soviéticos.
Pouco depois, o físico Leonid Sedov (1907-1999), chefe do programa espacial da URSS, discursou vagamente sobre a exploração espacial soviética no 6º Congresso da Federação Internacional de Aeronáutica. Quatro dias depois, foi lançado, a partir do menor modelo do foguete R-7 Semyorka, o famoso satélite Sputnik-I, em 4 de outubro de 1957 (figura 3).

Figura 3. Sputnik, exibido em museu espacial no Kansas (Estados Unidos)

CRÉDITO:
JOANNA POE/WIKIMEDIA COMMONS

 

 

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