O que a forma das folhas nos diz sobre a biologia de uma planta?

Instituto Nacional da Mata Atlântica

CRÉDITO: PEDRO VIANA

Na maioria das plantas, a folha é o órgão responsável pela captação da luz para a síntese de alimento. Isso ocorre por meio da fotossíntese e das trocas gasosas associadas a esse processo. Por isso, o formato das folhas costuma ter relação direta com a otimização dessas funções vitais. No entanto, não é só a fotossíntese que explica a variedade de formas foliares. As folhas são o órgão mais diverso em termos de morfologia, apresentando adaptações em sua forma ligadas ao ambiente, à defesa contra predadores e até às interações com outras plantas.

Nas gramíneas, por exemplo, as folhas estreitas e alongadas favorecem um rebrotar rápido após perturbações como queimadas e pastoreio por animais, ou até mesmo um cortador de grama. Essa característica ajuda a explicar o enorme sucesso dessas plantas na ocupação de ambientes abertos.

Outras plantas, como samambaias e ipês, apresentam folhas compostas, ou seja, divididas em partes menores chamadas folíolos. Essa divisão garante maior resistência: se um folíolo é danificado pelo vento ou animais herbívoros, o restante da folha segue funcionando.

Em regiões secas, as adaptações são ainda mais evidentes. Algumas espécies desenvolvem folhas suculentas, capazes de armazenar água, enquanto os cactos tiveram suas folhas transformadas em espinhos, reduzindo a evaporação e oferecendo proteção contra animais.

Algumas plantas são mestres do disfarce. Diversas espécies de maracujás possuem folhas de formatos incomuns, por vezes lembrando discos voadores, como a Passiflora porophylla. Essa morfologia inusitada confunde borboletas, que deixam de reconhecer o local como adequado para botar seus ovos, reduzindo o ataque de lagartas. 

Outro exemplo notável é a Boquila trifoliolata, uma trepadeira nativa do Chile capaz de imitar as folhas de plantas vizinhas, camuflando-se e dificultando a ação de predadores.

Assim, a enorme variedade de formas foliares não é apenas estética: cada detalhe reflete estratégias de sobrevivência ao longo da história evolutiva das plantas.

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