Larvas no campo, no carro e na mesa

Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis
Universidade Federal do Rio de Janeiro
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O descarte inadequado de restos de alimentos, cascas de frutas e resíduos agrícolas contamina o solo, polui rios e emite gases de efeito estufa. Soluções tradicionais, como aterros sanitários e compostagem, são processos lentos, caros e, por vezes, insuficientes para a demanda atual. Mas a própria natureza oferece uma solução: a bioconversão por meio de larvas de insetos, que funcionam como biorreatores vivos. Elas não apenas processam esses resíduos de forma eficiente, como os transformam em produtos de alto valor agregado.

CRÉDITO: ADOBE STOCK

Imagine um pequeno besouro cuja larva, a popular larva-da-farinha, tem um sistema digestivo poderosíssimo. Adaptado a ambientes com baixa umidade, a larva do besouro-da-farinha (Tenebrio molitor) tem uma super-habilidade: come restos de alimentos e farelos e os transforma em uma fonte rica de proteína (figura 1).

Essas larvas já são usadas no mundo inteiro para alimentar aves, peixes e até animais de estimação, como pássaros e répteis. No Brasil, pequenos produtores de aves em regiões interioranas estão começando a incorporar essas larvas nas rações, diminuindo a dependência de produtos caros e importados e ajudando a diminuir o impacto ambiental da produção animal.

Além disso, o potencial dessas larvas para alimentação humana vem ganhando força: barras proteicas e snacks feitos de farinha desses insetos começam a aparecer em feiras e lojas especializadas, oferecendo uma alternativa mais sustentável e nutritiva que as fontes de proteína animal e vegetal tradicionais.

Especialista em resíduos secos e plásticos

Uma descoberta notável sobre as larvas do Tenebrio é sua extraordinária capacidade de se alimentar de resíduos de difícil decomposição. Pesquisas já haviam revelado que essas larvas conseguem consumir e degradar uma impressionante variedade de plásticos, como poliestireno (isopor), PET, PVC e poliuretano (figura 2). Agora, sua habilidade se estende a um dos maiores desafios ambientais: a borracha vulcanizada de pneus, cuja estrutura a torna muito resistente à degradação.

Um estudo recente demonstrou que as larvas de Tenebrio molitor sobrevivem por semanas alimentando-se exclusivamente de fragmentos de pneu. Durante esse processo, elas decompõem a estrutura da borracha e liberam enxofre, o que indica alterações químicas e físicas no material. Essa capacidade revela o potencial desses insetos para serem usados em processos de biorremediação, oferecendo uma solução biológica inovadora para minimizar os impactos ambientais causados pelo descarte de pneus.

Figura 1. Larva do besouro Tenebrio molitor, capaz de degradar uma grande variedade de plásticos

CRÉDITO: FLICKR/AJC1 – CC BY-SA 2.0

Essa capacidade revela o potencial desses insetos para serem usados em processos de biorremediação, oferecendo uma solução biológica inovadora para minimizar os impactos ambientais causados pelo descarte de pneus

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