Imagine uma árvore genealógica em que você e seus primos por parte de mãe compartilham um bisavô materno. Se voltarmos no tempo, saberemos que o DNA de vocês veio, em parte, desse mesmo indivíduo, o ancestral compartilhado. Se continuarmos recuando muitas e muitas gerações, descobriremos que todos nós, seres humanos, compartilhamos um ancestral comum em algum ponto.
Esse processo de voltar no tempo até um único ancestral é o que chamamos ‘coalescência’. Em essência, significa que todos os genes que vemos hoje na população humana vieram de um ancestral compartilhado em algum momento do passado.
Esse raciocínio pode ser aplicado a uma população de animais, plantas ou até microrganismos. Se tomarmos um grupo de indivíduos atuais de uma dada espécie e analisarmos seu DNA, podemos encontrar o ancestral genético comum mais recente.
A filogeografia utiliza a coalescência para revelar quando e como as populações e espécies se separaram e se espalharam pelo mundo. Juntas, essas abordagens ajudam a reconstruir a história da vida no planeta, ao interpretar os dados genéticos no tempo e no espaço, para entender a evolução das espécies (figura 1).