O ‘mapa’ da vida através do tempo

Instituto Tecnológico Vale

Seria possível reconstruir a trajetória evolutiva da vida na Terra? Sim! O ramo da ciência que se dedica a entender como as espécies surgiram e se espalharam pelos ambientes em que vivem hoje é a filogeografia. Usando uma ferramenta matemática chamada coalescência, essa área de estudo permite rastrear os genes de diferentes indivíduos até um ancestral comum, de modo a traçar um ‘mapa’ das relações evolutivas ao longo do tempo e do espaço.

CRÉDITO: ADOBE STOCK

Imagine uma árvore genealógica em que você e seus primos por parte de mãe compartilham um bisavô materno. Se voltarmos no tempo, saberemos que o DNA de vocês veio, em parte, desse mesmo indivíduo, o ancestral compartilhado. Se continuarmos recuando muitas e muitas gerações, descobriremos que todos nós, seres humanos, compartilhamos um ancestral comum em algum ponto.

Esse processo de voltar no tempo até um único ancestral é o que chamamos ‘coalescência’. Em essência, significa que todos os genes que vemos hoje na população humana vieram de um ancestral compartilhado em algum momento do passado.

Esse raciocínio pode ser aplicado a uma população de animais, plantas ou até microrganismos. Se tomarmos um grupo de indivíduos atuais de uma dada espécie e analisarmos seu DNA, podemos encontrar o ancestral genético comum mais recente.

A filogeografia utiliza a coalescência para revelar quando e como as populações e espécies se separaram e se espalharam pelo mundo. Juntas, essas abordagens ajudam a reconstruir a história da vida no planeta, ao interpretar os dados genéticos no tempo e no espaço, para entender a evolução das espécies (figura 1).

Figura 1. O processo de voltar no tempo até encontrar um ancestral comum é chamado de coalescência (A). Em B, sua representação clássica: cada círculo representa um indivíduo e cada linha corresponde a uma geração, do presente para o passado. As linhas pretas traçam as ancestralidades de três linhagens amostradas dentre 10 indivíduos de uma população, e T1 e T2 indicam o tempo entre os eventos de coalescência. Um aspecto interessante é que, mesmo com poucos indivíduos, os tempos de coalescência das linhagens carregam informação suficiente para inferir a história genética de uma população

CRÉDITO: ADAPTADO DE ROSENBERG, N.A. AND NORDBORG, M. NATURE REVIEWS GENETICS 3(5), 380-390 (2002)

Assim como fotos antigas retratam a história de uma família, o DNA carrega registros do passado das espécies

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