Algumas espécies de aranha da família Araneidae – que dependem de os insetos ficarem presos em suas teias para se alimentarem – são amarelas.
Essa característica levou os cientistas a se questionarem sobre o porquê de essas espécies terem essa cor. Principal hipótese: essa coloração imita a cor de flores, atraindo, assim, insetos polinizadores, os quais, de longe, não são capazes de diferenciar a aranha de uma flor.
Resultado: o inseto acaba caindo na teia e virando alimento para a aranha.
Então, ter coloração amarela seria uma estratégia evolutiva de aranhas que imitam flores? Nem sempre. Talvez, isso possa ajudá-las a não serem vistas por suas presas. Soa estranho, não? Afinal, amarelo é uma cor chamativa na natureza, e estamos acostumados a associar camuflagem a cores mais apagadas ou escuras, como um padrão esverdeado, cinza ou marrom.
Estratégias de camuflagem não são definidas por cores específicas, mas, sim, pela semelhança de cor entre o corpo do animal e o local onde ele se encontra. Seja em folhas (decompostas ou não) ou galhos, seja em frutos ou flores, animais camuflados diminuem a chance de serem vistos tanto por suas presas quanto seus predadores, por se assemelharem a algum desses ‘fundos’.
Aranhas da família Thomisidae, por exemplo, ficam em flores de diferentes cores e podem mudar de coloração conforme o local onde estão. Mas essa alteração ocorre lentamente, podendo levar dias. Na França, em 2002, pesquisadores, por meio de estimativas matemáticas, viram que aranhas da espécie Thomisus onustus (figura 2), nativas da Eurásia e África, podiam se camuflar em flores de cor rosa, minimizando a probabilidade de detecção por aves que as predam – essa observação também vale para aranhas amarelas em flores amarelas.