Do mistério da primeira vacina antivariólica à descoberta de novas cepas, virologista Clarissa Damaso mergulha em pesquisa de área que não dá trégua
Do mistério da primeira vacina antivariólica à descoberta de novas cepas, virologista Clarissa Damaso mergulha em pesquisa de área que não dá trégua
CRÉDITO: FOTO ACERVO PESSOAL

Tudo começou como um hobby entre três amigos: uma brasileira, um alemão e um venezuelano que mora nos Estados Unidos, todos virologistas e curiosos sobre a composição da primeira vacina produzida no mundo, o imunizante contra a varíola. Desenvolvida pelo médico britânico Edward Jenner (1749-1823) em 1796, ela foi responsável por levar à erradicação da varíola nos anos 1980. É uma história cercada de mistério – não por acaso, um dos ingredientes que mais motivam virologistas em seus estudos sobre vírus e as doenças que causam. A virologista Clarissa Damaso, chefe do Laboratório de Biologia Molecular de Vírus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), trabalha assim: com um olhar nos aprendizados que vêm do passado, vigilância ativa no presente e pesquisa constante para prevenir riscos futuros.
“A vacina antivariólica é um marco na história das doenças infecciosas porque, além de ter sido a primeira produzida no mundo, a varíola é a única doença humana erradicada até hoje. Conta-se que Jenner pegou material extraído de uma lesão por cowpox, aqui chamada de varíola bovina, e inoculou numa criança. Semanas depois, inoculou com o material de varíola (humana), e a criança não adoeceu”, conta a professora do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF/UFRJ) e do Núcleo de Enfrentamento e Ensino de Doenças infecciosas Emergentes e Reemergentes (NEEDIER/UFRJ). “É algo impensável hoje, mas na época foi um feito porque a varíola era a mais fatal das doenças virais. Ao observar que as pessoas que ordenhavam vacas com varíola não contraíam varíola humana, Jenner mostrou que a varíola bovina protegia contra a humana. Era o início do conceito de imunização”.
Desde a campanha de erradicação da varíola pela Organização Mundial da Saúde (OMS) nenhuma das vacinas sequenciadas até hoje é feita de vírus cowpox – a que se acredita ter sido usada por Jenner –, mas de vírus vaccinia, usado nas vacinas modernas e do mesmo gênero do da varíola.
“Onde houve essa troca, se é que houve? É um mistério, e pesquisadores gostam disso”, diz Clarissa. “A primeira vacina dessas que sequenciamos era de 1902. Vimos que ela era de vírus horsepox, que causava lesões em cavalos. Há relatos de que, quando não havia cowpox, Jenner usava um material de lesão de varíola de cavalos para a imunização. Nosso intuito é chegar o mais próximo possível de decifrar as vacinas que ele produzia. Até agora, temos mais de 20 vacinas sequenciadas, desde o meio do século 19”, conta a pesquisadora, acrescentando que o grupo dessa pesquisa, inicialmente formado pelos três amigos virologistas citados no início do texto, hoje conta com equipe maior, financiamento e material recebido de doadores e museus de ciência de vários países.
Nosso intuito é chegar o mais próximo possível de decifrar as vacinas que ele produzia. Até agora, temos mais de 20 vacinas sequenciadas, desde o meio do século 19
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