Se esses materiais já são incríveis individualmente, a verdadeira mágica acontece quando os combinamos, permitindo a criação de materiais com múltiplas funções. A seguir, exemplos dessas aplicações.
Ao unir quitosana, alginato e celulose, criamos um curativo muito interessante. Como vimos, o alginato forma um gel que mantém a ferida úmida, acelerando a cicatrização, enquanto a quitosana age como agente antimicrobiano, ajudando a estancar o sangramento. Já a celulose fornece uma rede de fibras que mantém todos os materiais no lugar. É a combinação ideal para tratar feridas complexas.
Misturas de alginato e nanocelulose operam como biotintas: a nanocelulose ajuda a manter a forma (reologia) durante a impressão, e o alginato enrijece (gelificação iônica) pós-impressão, fixando a geometria impressa.
Estruturas porosas de quitosana e celulose servem como matrizes para crescimento celular, com porosidade e rigidez ajustáveis. Esses materiais têm sido usados para criar, em laboratório, modelos de pele, cartilagem e tecidos moles, aproximando a engenharia de tecidos de rotas aquosas, brandas e biocompatíveis.
Microesferas de alginato e filmes de quitosana são usados para imobilizar micro-organismos e biocatalisadores, aumentando estabilidade, reutilização e produção contínua em processos fermentativos ou enzimáticos. Suportes de nanocelulose oferecem grande área específica para ancoragem de enzimas, preservando atividade e facilitando a separação do produto final.
Filmes (‘papéis’ muito finos) de nanocelulose são plataformas transparentes e ajustáveis para sensores ópticos ou eletroquímicos. Eles podem ancorar corantes que reagem à luz ou ao pH, bem como nanopartículas metálicas e camadas condutoras impressas.
Revestimentos com quitosana – produzidos com base no método camada a camada (LbL) – criam superfícies que capturam biomarcadores por interação eletrostática, enquanto a matriz de alginato estabiliza enzimas.
Podemos, por exemplo, criar um filme alternando camadas de quitosana (positiva) e nanocelulose (negativa), para produzir embalagens com barreiras ou sensores de alta precisão. O resultado são dispositivos finos, de baixo custo, como tiras de teste rápido ou eletrodos impressos, ambos para diagnósticos rápidos chamados POC (sigla, em inglês, para point-of-care).
Compósitos de quitosana com nanocelulose reforçam a ação de agentes ativos (por exemplo, íons ou nanopartículas) e os distribuem de forma homogênea. Em superfícies de contato (curativos, cateteres e filtros), a combinação de barreira física (celulose), atividade antimicrobiana (quitosana) e ambiente úmido controlado (alginato) ajuda a diminuir colonização e recorrência de infecções.