Cidades médias, desigualdade em alta

Jornalista, especial para a Ciência Hoje

Pesquisador aponta que municípios entre 100 mil e 700 mil habitantes são os que mais crescem no país, mas avanço não vem acompanhado de desenvolvimento humano, o que aumenta vulnerabilidades sociais e ambientais

Cidades médias, desigualdade em alta

CRÉDITO: ACERVO PESSOAL

Há um novo vetor de expansão urbana no Brasil, e ele não aponta para as metrópoles, nem para as cidades pequenas. São as chamadas cidades médias as que mais crescem nos últimos anos no país. Cidades de porte médio com importante papel intermediador regional impõem um desafio ao planejamento urbano. É um cenário bem diferente do que se via nos anos 1970, quando o II Programa Nacional de Desenvolvimento (PND) previa um projeto de descentralização urbana, para descomprimir metrópoles e incentivar o desenvolvimento de territórios com melhoria da qualidade de vida da população. Hoje, as cidades médias oferecem isso apenas a um pequeno grupo, numa segregação social, econômica e ambiental acentuada.

“As cidades médias expressam a expansão de atividades econômicas no interior do país, em grande parte vinculadas ao agronegócio, e também, às diferenças regionais. Constatamos nesses novos centros urbanos desigualdades inimagináveis há 30 anos, com presença de favelas, violência, facções criminosas, riscos ambientais”, diz William Ribeiro, professor titular do Departamento de Geografia e do Programa de Pós-graduação em Geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em entrevista à CH, o também coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Rede de Pesquisadores sobre Cidades Médias (INCT/Recime), que congrega pesquisadores de diferentes países interessados na temática da produção e da organização do espaço de cidades médias, aprofunda os desafios e particularidades desse novo modelo de urbanização. Nas cidades médias brasileiras, afirma, o caminho adotado tem sido o de ampliar as diferenças.

CIÊNCIA HOJE: Durante décadas, o debate urbano ficou concentrado nas metrópoles. O que são as cidades médias e o que mudou para que elas passassem a receber um olhar à parte nas pesquisas e nas políticas urbanas no Brasil e em diferentes regiões do mundo?

WILLIAM RIBEIRO: A denominação de cidades médias não necessariamente tem a ver com o tamanho territorial ou populacional, mas com os papéis de cidades intermediárias dentro de uma rede urbana. São cidades de porte médio em relação ao tamanho populacional, mas que também têm a capacidade de realizar intermediações entre as metrópoles e as cidades pequenas, e são decisivas na interiorização de economias. Se olharmos a história da ocupação territorial do Brasil, ela aconteceu de leste a oeste, por conta da colonização portuguesa a partir da costa. Quanto mais a interiorização avança nessa direção no território, mais fundamentais se mostram as cidades médias, de modo a consolidar as redes urbanas e o sistema urbano brasileiro. Trata-se de áreas de expansão pela mineração, fronteiras agrícolas e novas lógicas espaciais da industrialização, alterando a difusão espacial de comércios e serviços. É diferente de 30 ou 40 anos atrás, quando o papel das metrópoles era hegemônico e absoluto na distribuição da população nas cidades brasileiras. Os últimos três censos do IBGE mostram essa mudança. A faixa de cidades que mais cresce atualmente no Brasil é a intermediária, de cidades de 100 mil a 700 mil habitantes. Há nelas um crescimento populacional percentualmente maior do que o das metrópoles, e isso chama a atenção pois indica uma mudança do lugar onde a população vive e onde a economia se desenvolve.

CH: O que determinou o crescimento desse perfil de cidades brasileiras?

WR: De um lado, refere-se ao avanço da urbanização brasileira com o perfil da interiorização da economia e, de outro, trata-se da consolidação e ganho de complexidade de suas redes urbanas em reestruturação, com forte avanço nos sistemas de transportes e de logística, na tecnologia e nas telecomunicações para maior cobertura e capacidade de gestão territorial. Embora se trate de um fenômeno mais recente, costumo partir do exemplo da entrada do setor de shoppings centers na economia brasileira. Há três décadas, estes estavam predominantemente localizados nas metrópoles, mas, atualmente, a maior parte dos lançamentos desses empreendimentos no Brasil acontece nas cidades médias, conforme dados dos censos da Associação Brasileira de Shopping Centers. Isso é muito revelador de uma nova dinâmica da atividade econômica, pois esses empreendimentos estão buscando, na verdade, os vetores de expansão da economia, que estão ligados às atividades das cidades médias, por sua vez, vinculadas aos diferentes setores da economia, como o agronegócio de forma muito significativa. São áreas do Centro-Oeste brasileiro, nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Goiás; e do oeste da Bahia, com cidades como Barreiras, Rondonópolis, Sinop e Dourados. Acrescidos dos locais mais tradicionais do centro-sul do país, como o interior de São Paulo, com Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, e o Paraná, com Londrina e Maringá, ou o Rio Grande do Sul, com Passo Fundo. Há toda uma dinâmica do agronegócio sediado em cidades médias que não é da agricultura em si. A agricultura está no campo, na área rural. A cidade média faz o papel intermediador, é a que tem a empresa de melhoramento de solo e de sementes, é a que vende trator, colheitadeira, semente, é onde estão os laboratórios. A professora Denise Elias, da Universidade Estadual do Ceará, costuma chamar de “agricultura científica”, que é centralmente urbana. As cidades médias também centralizam atividades ligadas à mineração e ao setor de petróleo e gás, com exemplos como Campos dos Goytacazes e Macaé, no norte do Rio de Janeiro ou outras cidades no estado de Minas Gerais. São cidades que têm essa vertente econômica fundamental, mas que terminam por atrair outros investimentos na produção imobiliária, da difusão de comércio e serviços em geral, concentrando uma gama significativa de outras atividades econômicas. E, ainda, o ganho de importância das cidades médias tem a ver com a própria reorganização da atividade industrial no Brasil. Nos últimos 20 anos, vemos um processo de transferências de plantas industriais, que saem das metrópoles, onde o custo da terra, dos aluguéis e dos salários é mais alto, e o trânsito é mais complexo, e vão para as cidades médias, que costumam oferecer mais incentivos fiscais e isenções de impostos. Tudo isso tem mudado a lógica de deslocamentos e de moradia da população brasileira.

CH: Esse é um fenômeno mais regional ou há uma transformação global na urbanização, puxada pelas cidades médias?

WR: Em todo o mundo, o papel das cidades médias tem se tornado importante. Mas, em cada região, há características particulares. Na China, com um setor econômico forte e uma população gigantesca, as cidades médias têm cerca de um milhão de habitantes, às vezes dois milhões. Lá, primeiro se erguem os condomínios, para depois a população se mudar. Fazem os shopping centers, que ficam vazios por anos, mas já existe um planejamento de que a população vai crescer para aquele lugar. Já as cidades europeias, geralmente, com suas origens em cidades medievais e antigas, têm uma forma de estruturação da cidade que preserva muito mais os centros históricos e o conceito tradicional de cidade com um centro e o entorno dos bairros. As cidades nos Estados Unidos, por sua vez, estão absolutamente fragmentadas, numa relação direta com o processo de suburbanização que aconteceu a partir dos anos 1950, a partir do final da Segunda Guerra Mundial. São cidades que cresceram muito rapidamente, de forma espacialmente muito difusa em torno dos subúrbios. E aí o papel das autopistas, shopping centers, redes de autosserviços e fast foods, se torna fundamental. O Brasil, embora tenha uma história de colonização europeia, segue muito mais o caminho da urbanização dos Estados Unidos. Hoje não há uma área de expansão urbana no Brasil que não tenha shopping centers. Eles estão ocupando os espaços dos centros das nossas cidades. No país também há diferenças regionais importantes. Uma cidade média na Amazônia é diferente de uma no estado de São Paulo. O colega Saint-Clair Cordeiro da Trindade Júnior, da Universidade Federal do Pará, desenvolve um trabalho a partir da aplicação do conceito de responsabilidade territorial. Na Amazônia, muitas regiões são praticamente isoladas, com acesso somente por rios. Muitas vezes, são nas cidades médias, que estão no interior dos estados, onde as pessoas vão encontrar hospitais, escolas, abastecimento. Daí a responsabilidade desses territórios. Quando se investe em serviços públicos, encontrar cidades médias é uma forma de atender todo um entorno regional importante. No continente africano, o papel das cidades médias está ligado a essa questão de responsabilidade territorial. Trata-se de economia muito menos densa, onde a atividade comercial está ligada ao chamado circuito inferior de economia urbana, pegando um conceito desenvolvido pelo professor Milton Santos [1926-2001]. O circuito inferior da economia urbana é o da lógica da sobrevivência, da criatividade local, com estratégias inovadoras populares. Cidades como Mocuba, em Moçambique, têm uma organização do comércio completamente diferente. Não são shopping centers, o comércio é muito mais informal, de rua. É outra lógica de planejamento, mas extremamente importante regionalmente, sediando universidade, centro de pesquisa e sedes de empresas que comandam a gestão territorial regional.

CH: Houve um planejamento de mudança do modelo de urbanização no Brasil? Como o crescimento acelerado das cidades médias aumenta as vulnerabilidades nesses territórios?

WR: Houve um planejamento ruim, ou um planejamento ineficiente, que fez com que essa difusão da população não fosse bem pensada e que fosse puxada, em grande parte, pela mudança da dinâmica econômica. Em grande parte, trata-se de um planejamento corporativo, empreendido por empresas do setor imobiliário, transformando a moradia em mercado e a cidade em um negócio. Por outro lado, a construção de Brasília teve grande importância nesse processo. Quando foi inaugurada, nos anos 1960, Brasília se tornou um indutor da economia brasileira, e hoje já é o terceiro maior centro econômico urbano do Brasil, depois de São Paulo e Rio de Janeiro. Há toda uma economia que se deslocou do centro-sul, em especial de São Paulo, para atender a demanda da nova capital. E essa logística para levar bens e serviços está totalmente relacionada às cidades médias. Uberlândia, no Triângulo Mineiro, cresceu muito justamente ao fazer esse papel de intermediação no caminho entre São Paulo e Brasília, com indústrias, empresas e um comércio atacadista forte. Só que à medida que essas cidades começam a crescer, suas economias ficam aquecidas e têm maior atratividade de pessoas, fica claro que não tinham infraestrutura para esse crescimento. Num estudo com 48 cidades brasileiras feito pela Rede de Pesquisadores sobre Cidades Médias, constatamos um perfil comum: praticamente em todas as cidades analisadas há uma elite regional que domina o mercado de terras e faz reserva de um setor de expansão. Ele representa em torno de 30% da área urbana, que se torna basicamente exclusiva de pessoas com poder aquisitivo médio ou alto. São os condomínios e loteamentos fechados, os empreendimentos de grande porte, locais em que o preço da terra se eleva e muitas vezes se equipara ao das metrópoles – áreas normalmente nucleadas por shopping centers de grandes redes nacionais. Ao mesmo tempo, surge uma necessidade de pessoal para trabalhar nas atividades econômicas dessa urbanização, como serviços ligados a construção, pintura, jardinagem, serviços gerais, cuidados com crianças etc., pessoas que não têm sua demanda de crescimento urbano e moradia atendida, tendo de viver em espaços periféricos pobres. Daí, se depreende um processo de favelização forte nas cidades médias. Aquele discurso dos anos 1970 de que elas seriam redutos de classe média e com qualidade de vida superior se restringe apenas a quem tem alto status de renda. Para quem não tem, a desigualdade acaba sendo até mais forte do que nas próprias metrópoles. Há um distanciamento social muito marcado, embora geograficamente, não tão distanciado, devido ao raio reduzido da área urbanizada. As escolas são separadas, o comércio, o clube. Com esse processo de segregação cada vez mais acentuado, e uma reserva de 30% da cidade para uma elite, o restante do espaço cresce com baixa infraestrutura, baixa qualidade e, muitas vezes, com presença de favelas. Londrina (PR), por exemplo, é uma região próspera, muito ligada ao agronegócio, à industrialização, às universidades, mas tem cerca de 30 favelas em seu tecido urbano.

CH: Nesse cenário, como vê o preparo dessas cidades médias em resiliência e resposta à questão climática? Os desastres recentes em Juiz de Fora (MG) demonstram o potencial subestimado de estrago dos eventos climáticos extremos nesses territórios?

WR: As favelas e áreas de ocupação de população mais pobre são alternativas ao mercado imobiliário formal. O mercado imobiliário formal não vai atuar em trechos de alta declividade ou fundos de vale. Mas a população que não tem alternativas, sim. Vai morar nas encostas, morros, fundos de vale. E aí entra a questão da vulnerabilidade. Ninguém mora em área de risco porque quer, mas porque é a única opção. Juiz de Fora é um exemplo importante. A cidade tem relação muito forte com o Rio de Janeiro, porque era área de expansão na época do Império, depois veio a atividade mineradora, sendo importante local de passagem, e, já nos anos 1990, a atração de plantas industriais. Tem também uma universidade federal forte, e outras privadas, numa atividade econômica de comércio e serviços intensa. Mas é uma cidade com um relevo constituído de mares de morros [grande conjunto de morros arredondados formados pelo intenso processo de erosão], com uma grande concentração de população que mora nas encostas ou nos fundos de vale. Nas chuvas muito intensas, vêm os alagamentos, as enchentes e os deslizamentos de massas de terra, e não é coincidência que, justamente a população mais pobre seja a que mais morre e tem prejuízos. Juiz de Fora se tornou atrativa com a interiorização da economia brasileira, o mercado de terras local influencia decisivamente onde as pessoas vão morar, de acordo com seu poder de compra, e quem não tem, acaba morando em locais de risco. Não é a chuva que causa a tragédia, pois as chuvas e os rios, como fenômenos naturais, já compunham um sistema de drenagem complexo. Mas a cidade edificada neste sítio altera sua estrutura natural e produz uma lógica urbana social que altera os cursos dos rios e a impermeabilidade da terra e se organiza em um processo de segregação residencial cruel que leva as pessoas a viverem nas áreas de risco como única alternativa. E, ainda, considere-se que as mudanças climáticas de escala global terminam por contribuir com a ocorrência mais frequente ou intensa de eventos extremos, causando impactos profundos nas cidades, incluindo as médias.

CH: Por serem menores, em teoria as cidades médias não deveriam ter mais facilidade para implementar políticas climáticas de forma mais ágil do que as grandes metrópoles?

WR: A estrutura nas cidades médias ainda é incipiente. Algumas cidades têm institutos de planejamento com vários profissionais, mas a grande maioria, não. O fato de não haver suficiente fiscalização por parte do poder público municipal, por falta de pessoal capacitado, faz com que os empreendimentos em cidades médias tenham muito mais liberdade para ignorar regras e terem impactos urbanos ou ambientais muito mais significativos do que nas metrópoles. Na implantação de um shopping center numa metrópole, as prefeituras colocam exigências, como uma alça de acesso, implantação de calçamento, um jardim. Nas cidades médias, isso não acontece. Os estabelecimentos fazem o que querem, com incentivo das próprias prefeituras. As transferências de plantas industriais é um exemplo: elas vão para essas cidades, também, pela regulação ambiental praticamente inexistente. Um exemplo clássico no Brasil é o da Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda (RJ), uma indústria altamente poluente, numa cidade criada para ela. Estudos de um colega de departamento, o professor Marcelo Lopes de Souza, mostram que os moradores dos bairros mais pobres têm muito mais problemas de saúde do que os dos bairros das elites. Existe uma seletividade também ambiental.

CH: Nesse caso, falta mais capacidade técnica ou prioridade política para enfrentar esses desafios? As cidades médias estão repetindo os mesmos erros das metrópoles?

WR: São erros novos, porque é outro momento histórico. É diferente da metropolização no Brasil nos anos 50, 60 e 70, com o crescimento de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Salvador. Ali era um crescimento em mancha urbana, com a desigualdade que aparecia com a favelização. Hoje, as diferenças que estão surgindo nas cidades médias vêm da fragmentação do espaço urbano. As cidades estão sendo produzidas já para delimitar os espaços de diferença. Não são, então, os mesmos erros do passado, mas novos erros, num novo momento de urbanização acelerada. E o Brasil precisa achar caminho próprio para enfrentar isso. Tradicionalmente, os modelos teóricos da urbanização foram criados na Europa e nos Estados Unidos. Os primeiros planejadores urbanos foram europeus e depois, no início do século 20, foi criada a Escola de Sociologia Urbana de Chicago, de onde saiu praticamente todo o pensamento que se tem hoje sobre cidades no mundo inteiro. Mas as cidades latino-americanas têm formação política, social e econômica diferentes da dos EUA e da Europa. Lá não há o circuito inferior da economia urbana, parte importante da nossa história, e de como produzimos nosso espaço. Reverter essa lógica da produção imobiliária, da moradia com critérios excludentes e forte segregação, certamente é um caminho que precisa ser construído. E, para chegar a essas soluções, precisamos conhecer essas cidades. Vem desses questionamentos a pesquisa que estamos desenvolvendo com o nosso INCT/Recime. Precisamos saber o que acontece com essa faixa de cidades, que é a que mais cresce, mas onde mais a pesquisa foi historicamente mais negligenciada, pois tradicionalmente só se fazia pesquisa nas metrópoles, onde estavam majoritariamente as universidades. Nos últimos 20 anos esse quadro tem se alterado, com maior descentralização e interiorização do sistema universitário federal, abertura de universidades estaduais e mesmo a expansão das faculdades privadas no interior do país.

CH: Para onde as evidências de estudos e pesquisas apontam o papel das cidades médias no futuro? Como imaginar o mapa urbano nos próximos anos?

WR: O agronegócio é fundamental para pensar os vetores de expansão e para onde as cidades médias vão crescer. Diferentemente dos países europeus, o Brasil ainda funda cidades novas. Há um processo de urbanização acontecendo, muito ligado ao desmatamento e à expansão da fronteira agrícola. Cidades como Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia, concentram atividades econômicas do agronegócio com elevada tecnologia e produtividade. A descentralização do comércio e dos serviços, e a localização dos shopping centers no Brasil, também indicam para onde os vetores apontam. Atualmente, este setor está organizado em grandes redes que procuram cidades como Marabá (PA), Campina Grande (PB), Sobral (CE), Passo Fundo (RS), Balneário Camboriú (SC), Londrina (PR), Dourados (MS) etc. São cidades de porte médio e de investimentos imobiliários. E elas continuarão crescendo, com uma dinâmica mais equilibrada com as metrópoles, que já registram decréscimo populacional. É um equilíbrio, porém, que não ruma à diminuição da desigualdade social. Fizemos um estudo em Resende (RJ), onde há um conjunto do programa “Minha casa, minha vida” que não tem acesso por via urbana, apenas pela rodovia Dutra. Ou seja, mesmo programas sociais progressistas, feitos para diminuir o déficit habitacional e tirar pessoas de situações de risco, permitem moradias longe dos centros das cidades e contribuem para a segregação residencial ainda mais exacerbada. São pessoas vivendo segregadas e fragmentadas. Se continuarmos a permitir o comando do processo pelas grandes corporações, que buscam valorizar cada vez mais a diferença e a segregação residencial, esse padrão de urbanização será cada vez mais acentuado no futuro.

Outros conteúdos desta edição

725_480 att-99962
725_480 att-99966
725_480 att-99976
725_480 att-99877
725_480 att-99983
725_480 att-99680
725_480 att-99928
725_480 att-99993
725_480 att-99898
725_480 att-99917
725_480 att-100008
725_480 att-99705
725_480 att-99855
725_480 att-100023
725_480 att-100078

Outros conteúdos nesta categoria

725_480 att-98589
725_480 att-97745
725_480 att-96790
725_480 att-96178
725_480 att-95623
725_480 att-95332
725_480 att-94764
725_480 att-94376
725_480 att-93895
725_480 att-93377
725_480 att-93157
725_480 att-92668
614_256 att-92217
725_480 att-91182
725_480 att-90561