O Brasil abriga hoje a maior população miscigenada do mundo. Desde a chegada dos colonizadores europeus, há mais de 500 anos, nosso território se tornou palco de encontros e desencontros demográficos sem precedentes.
Antes da chegada dos colonizadores, viviam aqui mais de 10 milhões de indígenas, falantes de mais de mil línguas diferentes, com modos de vida adaptados a cada região, da floresta amazônica aos pampas do sul. Esse universo humano foi profundamente abalado pelo encontro com os europeus, que trouxeram doenças, disputas e um modelo de exploração que reduziu drasticamente a população nativa.
Nos séculos seguintes, milhões de africanos foram trazidos à força para trabalhar nas lavouras de cana-de-açúcar, minas de ouro e fazendas de café. Cada navio negreiro que chegava trazia não apenas pessoas, mas também fragmentos de culturas, línguas e histórias familiares que se entrelaçaram no Brasil.
Já no final do século 19 e início do 20, novas levas de imigrantes europeus, dessa vez mais diversos, compreendendo italianos, alemães, espanhóis, portugueses, se instalaram principalmente nas regiões Sul e Sudeste, atraídos por políticas de colonização e pela promessa de um futuro melhor.
Essa mistura étnica e cultural criou um dos maiores movimentos de miscigenação da história humana. Hoje, todos nós carregamos em nossos genomas essa tapeçaria de encontros, conflitos e reconstruções. Cada genoma pode ser visto como um fio colorido, que se entrelaça com outros e forma o grande tecido do povo brasileiro.
Apesar dessa enorme diversidade, o Brasil permanecia pouco representado em estudos genômicos internacionais. Isso significava que diagnósticos médicos e pesquisas em saúde e evolução baseados em dados de DNA estavam sendo feitos, em grande parte, a partir de informações vindas da Europa e da América do Norte.
Esse viés poderia comprometer tanto a pesquisa quanto questões relacionadas à saúde de nosso povo. Para mudar esse cenário, o projeto DNA do Brasil sequenciou 2.723 genomas completos de alta qualidade, cobrindo todas as regiões do país e incluindo comunidades urbanas, rurais e ribeirinhas. O resultado é o maior banco de dados genômico já produzido sobre brasileiros.