A invisibilidade das contribuições femininas no campo científico chama especial atenção na construção do conhecimento sobre mapas
A invisibilidade das contribuições femininas no campo científico chama especial atenção na construção do conhecimento sobre mapas
CRÉDITO: IMAGEM GERADA POR IA/ADOBE FIREFLY

Por séculos, a construção do conhecimento cartográfico dependeu de processos analógicos e atividades manuais que exigiam elevada precisão técnica, capacidade analítica e sensibilidade artística — competências nas quais muitas mulheres atuaram, ainda que sem o devido reconhecimento institucional e histórico. Nas últimas décadas, com a automação e a incorporação de tecnologias digitais nos processos de produção cartográfica, ocorreram mudanças significativas nas formas de trabalho, e isso não elimina a necessidade de resgatar e valorizar a participação feminina na formação e evolução dessa área do conhecimento.
A elaboração de mapas foi historicamente associada à atuação masculina, desde marcos clássicos como a projeção de Mercator, no século 16, passando por agrimensores como George Washington (1732-1799) e Thomas Jefferson (1743-1826), no século 18, até o desenvolvimento dos sistemas de informação geográfica por Roger Tomlinson, na década de 1960. Esse percurso contribuiu para consolidar a cartografia e as áreas relacionadas às tecnologias geoespaciais como campos tradicionalmente dominados por homens, embora, mesmo nesses períodos, diversas mulheres tenham desempenhado papéis relevantes, ainda que pouco documentados.
Com a incorporação das tecnologias digitais, especialmente dos Sistemas de Informações Geográficas (SIG), observa-se uma ampliação significativa das oportunidades de formação, inserção profissional e desenvolvimento de pesquisas para as mulheres. Esse avanço contribuiu para tornar a cartografia mais acessível e diversificada, favorecendo uma participação mais ampla e plural na produção do conhecimento geoespacial. Paralelamente, observa-se o crescimento de iniciativas científicas e educacionais voltadas ao público feminino, em especial para meninas, estimulando o interesse precoce pelas áreas de ciência, tecnologia e geotecnologias.
No processo histórico de construção do conhecimento espacial, há registros do papel feminino em diversas culturas, incluindo sociedades indígenas. No entanto, as contribuições técnicas de mulheres na cartografia, desempenhadas em diferentes funções e contextos, ainda são de difícil identificação e documentação, reforçando a importância de estudos que recuperem e deem visibilidade a essa participação ao longo do tempo.
A relação entre cartografia, produção manual e participação feminina manifesta-se desde períodos históricos remotos. Um dos primeiros registros conhecidos de mapa produzido por uma mulher remonta ao século 4, na China, por meio do bordado de um mapa em seda. Nos séculos 15 e 16, mulheres foram amplamente empregadas na coloração de mapas e na elaboração de elementos decorativos, muitas vezes ocultando sua identidade ao utilizar apenas iniciais de seus nomes, o que dificultou o reconhecimento histórico de suas contribuições. No século 18, com o avanço das técnicas de impressão, ampliaram-se as oportunidades de atuação feminina, especialmente na gravação de placas de cobre, editoração de mapas e fabricação de globos, atividades que dialogavam com saberes tradicionais ligados ao trabalho têxtil, considerando que muitos mapas e globos eram produzidos em suportes como o linho.
Durante a Segunda Guerra Mundial, abriu-se uma nova janela de oportunidades profissionais para as mulheres, impulsionada pelo recrutamento feminino para suprir a ausência dos homens enviados ao combate. Esse período marcou a ampliação da participação feminina em áreas estratégicas da cartografia e das geotecnologias, como a fotogrametria e, posteriormente, os sistemas de posicionamento global (GNSS). A elevada demanda por reconhecimento territorial levou muitas mulheres a atuarem na elaboração cartográfica, na interpretação de fotografias aéreas e na construção de modelos tridimensionais por meio da estereoscopia.
Esse movimento contribuiu para avanços fundamentais nas ciências geoespaciais. Em 1950, Evelyn Pruitt (1918-2000), do Escritório de Pesquisa Naval dos Estados Unidos, consolidou o uso do termo Sensoriamento Remoto. No mesmo período, a matemática Gladys West (1930-2026) desenvolveu modelos matemáticos essenciais para a precisão dos sistemas de posicionamento global. Destacam-se ainda contribuições fundamentais de cientistas como Katherine Johnson (1918-2020), Dorothy Vaughan (1910-2008) e Mary Jackson (1921-2005), cujos trabalhos foram decisivos para o avanço do programa espacial estadunidense.
Na atualidade, os exemplos de protagonismo feminino nas geotecnologias são numerosos. Compreender as bases históricas que conduziram ao cenário atual permite reconhecer que a articulação entre tradições manuais, inovação tecnológica e inclusão social e de gênero foi — e continua sendo — fundamental para o avanço da cartografia e das ciências geoespaciais.
A relação entre cartografia, produção manual e participação feminina manifesta-se desde períodos históricos remotos
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