Ponte sobre o ‘vale da morte’

Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS)
Fundação Oswaldo Cruz

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Coluna de encerramento traz balanço dos temas tratados ao longo de mais de cinco anos de publicação e que refletem desafios sanitários contemporâneos e soluções para enfrentá-los com base na conexão entre conhecimento cientifico e aplicações práticas em saúde

Nuvem de palavras elaborada pelos autores a partir do conteúdo textual das 58 edições da coluna, utilizando a ferramenta WordArt (https://wordart.com)

Após pouco mais de cinco anos, esta coluna se despede dos leitores, com a certeza da missão cumprida. Durante esse período, este espaço consolidou-se como ponte entre pesquisa científica e aplicação prática em saúde pública. Os temas abordados refletiram não apenas os desafios sanitários contemporâneos, mas também os caminhos para enfrentá-los por meio da ciência translacional.

A coluna nasceu em setembro de 2020, em plena crise da Covid-19, e dedicou suas primeiras edições a alguns dos temas mais prementes da época: desenvolvimento de vacinas e redes internacionais de pesquisa. Essas discussões sobre a pandemia não foram meramente descritivas: trouxeram reflexões sobre os desafios do desenvolvimento de vacinas para Covid-19 e as lições sobre colaboração que a crise nos ensinou.

Mesmo com a atenção mundial voltada para a Covid-19, a coluna manteve compromisso com problemas crônicos que continuam a afetar o Brasil e outros países de renda média e baixa, como doenças negligenciadas. Abordou desde estratégias inovadoras (bactérias Wolbachia contra dengue) até planos concretos de eliminação dessas doenças e novos diagnósticos moleculares.

A evolução dos temas também acompanhou transformações no próprio ecossistema científico brasileiro. Terapia gênica, terapias avançadas, modelagem computacional, inteligência artificial interpretável, bioinformática translacional, saúde digital e bioimagem passaram a ocupar espaço crescente. Assuntos antes associados à ficção científica tornaram-se parte do debate sobre saúde pública, abrindo espaço para discussões sobre desafios, expectativas de regulação e acesso equitativo.

Com notável senso crítico, a coluna não se esquivou dos problemas sistêmicos do país: baixa competitividade científica, necessidade de fortalecimento da indústria, diáspora de cientistas, entraves regulatórios e desigualdades em saúde. Ao mesmo tempo, apresentou caminhos possíveis, como fortalecimento de alianças estratégicas, educação, inovação aberta e centralidade da ciência básica na geração de soluções aplicáveis.

Textos sobre vigilância de vírus em morcegos, detecção de novos arbovírus, resistência bacteriana e regulação de laboratórios de alta biossegurança reforçaram a importância de antecipar riscos e preparar respostas rápidas. Esses temas dialogaram com tendências internacionais que tratam da construção de sistemas de alerta precoce e de capacidades laboratoriais robustas.

A sincronia com desafios globais tornou-se ainda mais visível em debates sobre resistência antimicrobiana, vacinas para doenças autoimunes e câncer e integração entre inteligência artificial, big data e epidemiologia para políticas baseadas em evidências. A coluna posicionou-se consistentemente na vanguarda das discussões sobre como traduzir conhecimento científico em ações concretas de saúde pública.

Em 58 edições, mostramos que pesquisa translacional não é luxo acadêmico, mas necessidade estratégica para um país que busca soberania científica, redução de desigualdades e um sistema de saúde inovador. Nesse período de intensas mudanças, a coluna cumpriu a missão de iluminar o ‘vale da morte da inovação’, conectando ciência e saúde de forma objetiva, crítica e propositiva.

Em 58 edições, mostramos que pesquisa translacional não é luxo acadêmico, mas necessidade estratégica para um país que busca soberania científica, redução de desigualdades e um sistema de saúde inovador

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