Se perguntássemos a alguém que não estuda roedores quais espécies desse grupo conhece no Brasil, provavelmente ouviríamos nomes familiares à população urbana: as ratazanas e os ratos de esgoto (Rattus rattus e Rattus norvegicus), os camundongos domésticos (Mus musculus) e, talvez, os hamsters (Mesocricetus auratus) e porquinhos-da-índia (Cavia porcellus), conhecidos como animais de estimação ou por viverem próximos aos seres humanos. Também não faltariam menções às adoráveis capivaras (Hydrochoerus hydrochaeris), os maiores roedores do planeta, que, nos últimos anos, conquistaram as redes sociais no mundo todo.
Todos esses exemplos estariam, de fato, corretos, pois, apesar de suas diferenças, esses animais compartilham uma característica fundamental da ordem dos roedores (Rodentia): a presença de dois pares de dentes incisivos (um par superior e outro inferior) de crescimento contínuo, separados por um espaço (diastema) dos dentes molares. Mas esse grupo de mamíferos vai muito além dos exemplos citados: é o mais bem-sucedido em termos de número de espécies e ocorre em todos os continentes, com exceção da Antártida.
No Brasil, a ordem dos roedores é a mais diversa entre os mamíferos, com 270 espécies silvestres já catalogadas, o que representa 34% de todos os mamíferos conhecidos no país (figura 1). Desse total, 136 são endêmicas: não são encontradas em nenhum outro lugar do mundo fora de nosso país.