Do ponto de vista da química, a biodiversidade vegetal está diretamente associada a uma impressionante variedade de estruturas moleculares, que podem ser observadas e empregadas das mais diferentes formas
Do ponto de vista da química, a biodiversidade vegetal está diretamente associada a uma impressionante variedade de estruturas moleculares, que podem ser observadas e empregadas das mais diferentes formas
CRÉDITO: ADOBE STOCK

Plantas são parte essencial da sobrevivência de qualquer espécie animal em nosso planeta. Podemos ser adoradores de churrasco, carnívoros por convicção ou simples odiadores de alface e rúcula, não importa! Lembre-se de que aquela bisteca, enriquecida em mioglobina, proteína responsável pela cor vermelha da carne, só chegou ao seu prato porque, em algum momento, uma planta utilizou a energia da luz solar para produzir nutrientes essenciais, que constituem a base da cadeia alimentar.
No entanto, nossa relação com as plantas vai muito além da alimentação. Ao longo da história, elas nos forneceram materiais para a construção de casas e meios de transporte, além de combustíveis para nos proteger do frio. Com imaginação e engenhosidade, produzimos instrumentos musicais que alegraram momentos festivos e aliviaram o sofrimento em tempos de dor. De suas fibras, fizemos roupas e cestos para carregar nossos pertences. De moléculas complexas, frutos de seu metabolismo, extraímos curas para diversas doenças e encontramos caminhos que nos aproximaram do divino, em rituais que empregam substâncias psicodélicas.
Essa relação é antiga. Evidências indicam que ela remonta ao período Paleolítico, e o registro escrito mais antigo do uso de plantas medicinais na preparação de remédios foi encontrado em uma tábua de argila suméria, proveniente de Nagpur, com aproximadamente 5.000 anos de idade. O documento continha 12 receitas, fazendo referência a mais de 250 plantas diferentes. Diante de tantos milênios de conhecimento acumulado, é inevitável a pergunta: e se a ciência contemporânea desse as mãos ao saber popular para desenvolver novos fármacos e tratamentos para doenças que ainda geram comorbidades em nossa população? Essa é justamente a base de uma importante área de pesquisa: a etnobotânica.
Podemos dizer que suas origens remontam ao século 15, durante a expansão colonial europeia. Naturalistas coletavam avidamente conhecimento biológico por onde passavam, alimentando o ímpeto colonial pela busca de novas commodities. Plantas cruzaram oceanos em embarcações construídas a partir de outras plantas, encontrando novos territórios para florescer e encantando médicos e cientistas europeus com o poder que brotava da terra. Essa prática perdurou por séculos, até que a disciplina começasse a adquirir contornos mais definidos. Foi apenas em 1895 que o termo “etnobotânica” foi cunhado pelo botânico americano John Harshberger (1869-1929) para se referir ao estudo das plantas utilizadas por aquilo que ele chamou de “povos primitivos e aborígenes”.
Felizmente, nos anos seguintes, a etnobotânica passou a ser moldada em diferentes contextos sociopolíticos. Com as lutas travadas por comunidades tradicionais pelo reconhecimento de seus direitos, a importância do respeito às tradições e à cultura dos povos detentores do conhecimento necessário para a chamada bioprospecção passou a ganhar protagonismo. A busca pelo progresso sem respeito passou a ser reconhecida como uma forma de violência, e a necessidade de as ciências sociais caminharem lado a lado com a biologia e a química conferiu novos contornos à pesquisa.
Assim, reconhecer o potencial das plantas tornou-se uma forma de estimular e garantir a manutenção da biodiversidade. Além disso, a integração entre o saber local e o conhecimento científico começa a facilitar o desenvolvimento de estratégias que promovam a conservação biocultural e o uso sustentável das plantas.
Atualmente, abordagens etnobotânicas devem valorizar culturas locais e estreitar nossas relações com o mundo natural. Elas nos permitem aprender com o passado e com as diversas formas de uso das plantas presentes nas diferentes culturas que coexistem na atualidade. Do ponto de vista da química, a biodiversidade vegetal está diretamente associada a uma enorme diversidade de estruturas moleculares. Assim, plantas podem nos apresentar moléculas nunca antes imaginadas.
É nesse contexto que, ao longo deste ano, este espaço se dedicará à etnobotânica, em um projeto intitulado “As moléculas que sua avó já conhecia”. Plantas que crescem no interior da floresta, protagonistas de lendas do folclore ou aquela erva que brotava no quintal de sua avó sem receber muita atenção, mas que os anciãos do bairro garantiam ser capazes de curar diversos males serão as divas na temporada 2026 de Elementais. Juntos, vamos explorar esse universo e descobrir o que a literatura científica tem a nos contar sobre elas.
Do ponto de vista da química, a biodiversidade vegetal está diretamente associada a uma enorme diversidade de estruturas moleculares. Assim, plantas podem nos apresentar moléculas nunca antes imaginadas
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