O que é fusão nuclear e quais são suas possíveis aplicações?

Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS),
Fundação Oswaldo Cruz
Instituto de Comunicação e Informação Científica e
Tecnológica em Saúde (Icict)
Fundação Oswaldo Cruz

Uso de ferramentas lúdicas pode contribuir para popularizar os esforços de inovação na área da saúde e engajar não cientistas no processo de produção do conhecimento científico

As transformações e evoluções no campo científico têm sido determinantes para os avanços que têm beneficiado a sociedade. O desenvolvimento acelerado do conhecimento científico, bem como suas aplicações tecnológicas, é reconhecido como um elemento de aprimoramento da qualidade de vida e também de progresso cultural e material das nações.

Nesse sentido, há uma busca constante para garantir que as descobertas científicas saiam dos limites dos laboratórios para efetivamente serem empregadas em favor da população, seja na forma de fármacos, de equipamentos ou novas técnicas. No campo da saúde, essa distância entre os pesquisadores de biomedicina e os pacientes que podem, de fato, se beneficiar de suas descobertas é um fator de grande preocupação, dado seu impacto em termos de vidas humanas.

A pesquisa translacional tem como desafio vencer esse hiato entre as pesquisas de ponta e a oferta de novos fármacos, vacinas e tratamentos aos pacientes, indo além da descoberta científica e orientando práticas e políticas públicas para que a população tenha acesso às inovações em saúde.

Em outro extremo, tais avanços e inovações altamente especializadas exigem ações de divulgação científica, um elemento importante de cidadania. É possível considerar que, se a pesquisa translacional é  um campo de grande inovação e importância, também é relativamente pouco conhecido, mesmo entre os profissionais de saúde. Dessa forma, se fazem necessárias ações que contribuam para popularizar o seu papel, primeiramente entre profissionais e pesquisadores do campo da saúde e, em seguida, entre a população em geral. Justifica-se, assim, a busca por novos mecanismos capazes de expressar a complexidade do tema de modo acessível, atraente e engajante para o público.

Jogos digitais podem ser um desses meios para promover ações de difusão e compreensão da pesquisa translacional. Os jogos digitais surgiram há pouco mais de quarenta anos e, nesse tempo, alcançaram enorme popularidade em todo o mundo, não se restringindo a adolescentes e crianças. Mais do que mero entretenimento, cada vez mais educadores consideram os jogos ferramentas poderosas para o aprendizado, já que propõem desafios aos jogadores em um contexto lúdico, motivando-os a perseverar na solução de problemas. Chamados de ‘jogos sérios’, eles têm sido usados como meio de treinamento, complemento à educação formal, veículo de conscientização e até no ativismo político.

Os jogos digitais têm uma característica única, que é a capacidade de expressarem mensagens por meio de suas regras de funcionamento. Ao interagir com um jogo, o usuário está operando um sistema de regras que lhe permite intuitivamente produzir sentidos específicos. Os jogos são capazes de representar processos dinâmicos do mundo real em diferentes graus de abstração. Por isso, eles têm grande potencial para favorecer a compreensão de sistemas dinâmicos complexos, como os que compõem todo o cenário de inovação científica que circunda a pesquisa translacional.

Já existem diversos jogos sérios que funcionam efetivamente como estratégias de divulgação científica. Um exemplo é o Jogo do Acesso Aberto, desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz para mostrar ao público leigo a importância do acesso aberto aos resultados de pesquisas científicas no campo da saúde. No jogo, um pesquisador busca artigos que estejam disponíveis em acesso aberto para que possa deter uma epidemia. É um jogo curto e simples, que funciona de forma atraente e divertida para introduzir um assunto relevante, mas que em outros formatos poderia parecer muito pouco tangível ao grande público.

Outros jogos também podem contribuir com a ‘ciência cidadã’, um termo usado para designar ações que promovem a contribuição de não cientistas com o desenvolvimento científico, ampliando seu engajamento público, dando-lhes protagonismo e contribuindo com novas abordagens participativas nos modos de fazer ciência. É o caso do Foldit, onde os participantes competem para resolver quebra-cabeças baseados em dobras de proteínas seguindo regras bioquímicas. As soluções oferecidas são avaliadas por pesquisadores e testadas em laboratório para, potencialmente, originar novos fármacos e compostos. Foldit ilustra como um jogo pode se utilizar de um processo colaborativo para a resolução de problemas, promovendo o engajamento e potencializando a participação de jogadores na produção de conhecimento científico.

Jogos podem representar espaços promissores para se pensar processos mais participativos e dinâmicos, sendo ambientes para se avaliar temas relevantes à sociedade. Dessa forma, por meio de suas regras, texto, imagens e modelos dinâmicos que representam, têm o potencial de despertar a atenção e contribuir de modo relevante para que a pesquisa translacional seja conhecida por diferentes grupos da sociedade.

Jogos têm o potencial de despertar a atenção e contribuir de modo relevante para que a pesquisa translacional seja conhecida por diferentes grupos da sociedade

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