A ficção está em todos os lugares

A habilidade humana para criar realidades pode ser explorada tanto para libertar quanto para aprisionar as pessoas. Alguns templos neopentecostais se valem dessas narrativas insólitas. Com que propósito?

Do Latim fingere, a palavra ‘ficção’tem uma gama variada de significados: modelar, formar, representar, esculpir, inventar, fingir, imaginar. Concepções que nos permitem afirmar que não só escritores, mas também alfaiates, arquitetos, confeiteiros, costureiras, escultores, pintores e líderes religiosos, em seus fazeres específicos, são capazes de produzir ficção. Isso sem falar da ficção que, independentemente do nosso ofício, produzimos no dia a dia.

Mario Quintana, em uma narrativa poética que chamou de ‘Conto de todas as cores’, utiliza-sede metalinguagem para refletir sobre a origem e a força desse vocábulo latino. O poeta, quando suas personagens estão sendo investigadas sobre suas naturezas, por uma comissão de doutores espantados diante de um menino azul, de uma menina verde, de um negrinho dourado e de um cachorro com todos os tons do arco-íris, coloca na voz do cachorro a resposta para essa questão tão crucial para os seres humanos: “Mas nós não nascemos, nós fomos inventados”.

Georgina Martins

Programa de Mestrado Profissional em Letras (Profletras)
Curso de Especialização em Literatura Infantil e Juvenil, Faculdade de Letras, Universidade Federal do Rio de Janeiro
Escritora de livros para crianças e jovens

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