A Jerusalém do meio

A temática é LGBT, mas O confeiteiro é um filme abrangente, que busca mostrar os dilemas e incertezas de uma cidade tradicionalista, excludente e misteriosa.

O premiado O confeiteiro é o primeiro longa-metragem do jovem diretor israelense Ofir Graizer. Graizer é mais uma grata surpresa vinda da nova geração de diretores do cinema israelense. Formado na subversiva e periférica Escola Sapir de Cinema (localizada no sul de Israel, próxima à fronteira com a faixa de Gaza), o diretor de O confeiteiro apresenta um filme que faz companhia a uma série de excelentes obras baseadas na temática LGBT naquele país. Tal qual Yossi e Jagger (2002), A bolha (2006), ou Andando sobre a água (2007), a obra de Graizer tem o mérito de ser um filme sobre a ambiência gay, sem deixar, no entanto, de apresentar a sociedade israelense, seus graves dilemas e conflitos.

Seguindo a boa tradição do cinema gay em Israel, O confeiteiro não pretende dirigir-se exclusivamente à comunidade LGBT. Não é um filme de nicho, restrito e baseado em códigos internos desse público; ao contrário, tem uma narrativa complexa e sofisticada, crivada de referências universalistas e com uma forte perspectiva humanista.

Michel Gherman

Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos
Universidade Federal do Rio de Janeiro

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