Plantas podem sentir o toque de outro ser vivo? Como a dormideira se fecha tão rápido?

Laboratório de Estudos Históricos e Aplicados em Farmacognosia/PlantaCiência
Faculdade de Farmácia, Universidade Federal do Rio de Janeiro
Laboratório de Farmacognosia Aplicada
Faculdade de Farmácia
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Plantas podem sentir o toque de outro ser vivo? Como a dormideira se fecha tão rápido?

CRÉDITO: IMAGEM CEDIDA PELO AUTOR

Mesmo sem nervos ou músculos, as plantas são capazes de perceber o ambiente ao seu redor. Elas têm um jeito próprio de sentir e responder a diferentes estímulos, incluindo o toque. Como as plantas não podem correr para fugir de predadores, elas precisaram desenvolver formas de se defender para sobreviver na natureza. O maior exemplo disso são os movimentos rápidos da dormideira (Mimosa pudica L.), chamados de sismonastia ou tigmonastia: basta um leve toque para que ela feche suas folhas em poucos segundos, assustando os insetos e evitando virar almoço.

O segredo dessa velocidade está no pulvínulo, uma pequena estrutura na base das folhas que funciona como uma dobradiça motora. Quando alguém toca nas folhas da dormideira, esse movimento dobra levemente a parede das células do pulvínulo. Na mesma hora, proteínas chamadas canais iônicos mecanossensíveis detectam o estiramento e abrem suas comportas, transformando o impacto físico em um sinal elétrico. Esse sinal é o potencial de ação, um pulso elétrico que viaja pelos tecidos do vegetal de forma muito parecida com os impulsos que correm pelos nossos próprios nervos. Uma onda de cálcio invade as células, agindo como um mensageiro de emergência, o que explica por que um toque na pontinha da folha faz com que toda a estrutura desabe em efeito dominó.

Como a dormideira não tem músculos, ela usa a água para se movimentar. Em estado normal, as células do pulvínulo ficam completamente cheias de água e infladas (a chamada pressão de turgor), mantendo a folha erguida e firme. Quando o alerta elétrico de perigo alcança essa dobradiça, as células disparam uma carga de íons de potássio e cloro para o lado de fora. Por um processo físico chamado osmose, a água tende a se mover naturalmente para onde há mais concentração dessas substâncias. Para que o movimento seja instantâneo, a planta abre canais ultravelozes chamados aquaporinas. Sem água, as células murcham no mesmo segundo, e a folha cai, se dobrando para cima ou para baixo.

Uma vez passado o estímulo, a planta inicia um processo de recuperação lento, onde gasta energia para bombear os íons, e a água de volta para dentro das células, “reinflando” seus balões biológicos para que as folhas se abram novamente.

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