Pequenas perguntas, grandes questões

Quais os efeitos adversos da vacinação contra a covid-19 e oque as sabe sobre o risco de trombose?

Vacinas são desenvolvidas para evocar uma resposta imune protetora sem causar perigo à população. Efeitos adversos após a primeira dose e/ou após a segunda dose de uma vacina são extremamente comuns. Os mais relatados são dor no local da injeção, estado febril, dor de cabeça e cansaço – todos compatíveis com os imunizantes CoronaVac, AstraZeneca e Pfizer, em uso no Brasil para o combate à covid-19.

Cabe ressaltar, porém, que as reações às vacinas variam entre as pessoas, indo desde a ausência de sintomas até a combinação de dois ou mais. Estudos de segurança, que são a primeira fase para o desenvolvimento clínico de um imunizante, juntamente com estudos clínicos de fase 2 e 3, que ampliam progressivamente número de voluntários, demonstraram que as três vacinas em uso no país são seguras e eficazes.

No momento estão sendo realizados os estudos de fase 4, que acompanham a vacinação. E é com o aumento do número de vacinados, que se faz possível observar algum efeito adverso raro, isto é, não observado durante os estudos clínicos nas fases 1, 2 e 3.

A vacina da AstraZeneca foi desenvolvida através de um vetor adenoviral de chimpanzé não replicante, ou seja, apesar de ocorrer a entrada na célula, não haverá a formação de partículas virais. Sendo assim, mimetiza a entrada de um vírus, que pode desencadear sintomas semelhantes aos de uma infecção viral. Estudos preliminares têm relacionado que 0,0006% dos imunizados que receberam esta vacina apresentaram quadros de trombose. Esta relação de efeito adverso raro pela imunização ainda está sendo verificada. Mas é importante salientar que esse evento raro que pode ser atribuído ao imunizante ainda é menor que o risco de trombose pelas pessoas que se infectam com o novo coronavírus.

 

Júlio Souza dos Santos e Herbert Leonel de Matos Guedes
Instituto de Microbiologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro
Instituto Oswaldo Cruz, Fundação Oswaldo Cruz

Com o surgimento de variantes do vírus, é possível que novas vacinas precisem ser desenvolvidas para conter a covid-19?

Ainda não é possível afirmar sobre a necessidade de novas vacinas ou de atualização das vacinas disponíveis para combater as variantes do SARS-CoV-2, coronavírus causador da covid-19. O que se sabe é que cientistas em todo o mundo estão atentos e realizando estudos para compreender a importância dessas variantes, assim como a eficácia dos imunizantes já validados e em desenvolvimento. Sempre que necessário, serão realizados testes de doses de reforço e de aprimoramento de fórmulas vacinais para possíveis novas variantes.

Essas variantes são classificadas em três níveis, de acordo com o centro de controle de doenças dos Estados Unidos: 1) variantes de interesse, que demonstram potencial de perigo, mas ainda estão sob controle; 2) variantes preocupantes, que apresentam alto poder de contágio, redução da resposta aos protocolos terapêuticos disponíveis, causam a forma mais grave da doença e fogem de testes diagnósticos; 3) variante de alta consequência, que não respondem aos efeitos de vacinas e tratamentos disponíveis.

Uma boa notícia é que, até o momento, não foram identificadas variantes do SARS-CoV-2 que se enquadrem no nível de alta consequência. Por outro lado, foi divulgado, por um estudo com algumas limitações, que a vacina da AstraZeneca não mostrou boa eficácia em relação à variante da África do Sul, o que também pode acontecer com outros imunizantes na relação com outras variantes.

É importante lembrar que esses estudos que estabelecem a relação de eficácia das vacinas para as variantes do SARS-CoV-2 são ainda recentes e limitados. É preciso tempo para afirmações mais precisas neste sentido. O grande ponto a ser considerado é que precisamos diferenciar o número de infectados do número de casos graves. Afinal, se a vacina conseguir proteger contra as formas graves da covid-19, ela terá cumprido o seu papel.

 

 

Alessandra Marcia da Fonseca Martins e Herbert Leonel de Matos Guedes
Instituto de Microbiologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro
Instituto Oswaldo Cruz, Fundação Oswaldo Cruz

Matéria publicada em 07.06.2021

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