Agrônoma premiada por monitoramento do fogo no Acre e do impacto na população, Sonaira Silva defende adaptar técnicas de queimadas ao novo clima e recuperar conexão com a natureza
Agrônoma premiada por monitoramento do fogo no Acre e do impacto na população, Sonaira Silva defende adaptar técnicas de queimadas ao novo clima e recuperar conexão com a natureza
CRÉDITO: FOTO: ACERVO PESSOAL
Entre julho e outubro de 2024, na época mais seca e com menos chuvas do ano, o Brasil ardeu com a maior área queimada por incêndios florestais desde 2012. A ocorrência do El Niño, que eleva as temperaturas e aumenta o risco de fogo nas matas, contribuiu para o recorde. Agora, com a previsão de mais uma atuação intensa desse fenômeno climático, a preocupação e as lembranças de dois anos atrás voltaram. Nesse misto de ansiedade e receio, mas munidos de dados e conhecimento científico, trabalham pesquisadores como a agrônoma Sonaira Silva, da Universidade Federal do Acre. Seu grupo de pesquisa atua em três frentes contra o fogo: monitoramento da temporada de queimadas, gestão precisa dos incêndios no local e proteção da população contra a fumaça.
“Com a chegada do El Niño, o prognóstico é que o período de queimadas se estenda para além de outubro e chegue a níveis agravantes, principalmente se a temperatura superar os 35 graus durante vários dias, com a caracterização de ondas de calor. Precisamos estar com todos os alertas ligados e preparados não só para o El Niño, para não queimar mais do jeito que se tem queimado, sem controle”, diz Sonaira.
A professora e pesquisadora do Laboratório de Geoprocessamento Aplicado ao Meio Ambiente da UFAC, no campus de Cruzeiro do Sul, trabalha com sensoriamento remoto e mapeamento de incêndios florestais na região amazônica. “Entramos em várias parcelas de floresta no Acre, medimos as árvores, analisamos as espécies mortas e as identificamos para entender a taxa de perda pelo fogo e o efeito do fogo sobre essa floresta, se ela vai conseguir se recuperar”, explica. “Os dados são relacionados também à qualidade do ar no período crítico de fumaça, com alertas e informações detalhadas de como os níveis de poluição influenciam a vida dos moradores”, conta ela, que com esse projeto foi uma das vencedoras do Prêmio Para Mulheres na Ciência, do Grupo L’Oréal, em parceria com a Unesco e a Academia Brasileira de Ciências (ABC).
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