Para que as metas climáticas projetadas sejam alcançadas, será necessário implantar em larga escala turbinas eólicas, painéis solares e promover a eletrificação dos transportes – tecnologias que dependem fortemente de minerais.
Quanto mais ambiciosas forem as metas de descarbonização, maior deverá ser a expansão das energias limpas, e, consequentemente, maior será a demanda por materiais.
Segundo a IEA, a demanda por minerais críticos deverá crescer de forma expressiva nas próximas décadas. Até 2040, estima-se que a demanda por terras-raras – conjunto de 17 elementos químicos classificados como metais – aumente cerca de sete vezes, enquanto o consumo de níquel pode ser 19 vezes maior, e o de grafite, 25 vezes maior. A demanda por cobalto, por sua vez, pode crescer mais de 20 vezes no mesmo período.
Entre esses materiais, o lítio se destaca. Projeta-se que sua demanda aumente mais do que a de qualquer outro mineral crítico, podendo superar em mais de 40 vezes os níveis observados em 2020, impulsionada, sobretudo, pela expansão das tecnologias de armazenamento de energia.
Atualmente, as terras-raras ocupam posição de protagonismo na discussão sobre a transição energética. Diferentemente do que o nome possa sugerir, esses minerais não são exatamente escassos (ou seja, raros) na natureza, mas, sim, encontram-se espalhados em doses mínimas em outros minerais, o que dificulta a extração.
Terras-raras foram historicamente demandadas em quantidades reduzidas, mas isso deve mudar drasticamente nas próximas décadas, porque são essenciais, por exemplo, para a produção de geradores elétricos e ímãs permanentes, usados em turbinas eólicas e baterias de carros elétricos.
Estudos recentes indicam um potencial descompasso entre reservas conhecidas, oferta e demanda projetada de terras-raras, o que pode comprometer as chamadas metas líquidas zero de emissões de gases do efeito estufa. Além disso, esses minerais enfrentam cadeias de suprimento globais vulneráveis, uma vez que são produzidos por poucos países – China é o principal deles.
O risco de descompasso não se limita às terras-raras. Ele também se estende ao lítio, cobalto e níquel, igualmente essenciais para a fabricação de baterias de carros elétricos, cuja demanda acumulada por esses minerais pode se aproximar ou até exceder as reservas atualmente conhecidas em cenários de transição energética acelerada.
Paralelamente, minerais estruturais, como ferro e alumínio, também terão sua demanda intensificada, e a produção desses materiais, caso não seja acompanhada por avanços tecnológicos, pode consumir parte relevante do chamado orçamento de carbono disponível – ou seja, a quantidade máxima de gases de efeito estufa que ainda pode ser emitida sem que o aquecimento global ultrapasse um determinado limite de temperatura.
Essas projeções reforçam a possibilidade de pressões estruturais sobre a disponibilidade de diversos minerais, indicando que o desafio da transição é não só tecnológico, mas também material e geológico.
Diante desse cenário, assegurar uma disponibilidade suficiente de materiais para sustentar a expansão das tecnologias de baixo carbono tornou-se um foco estratégico para empresas, governos, instituições de pesquisa e diversos grupos de interesse.
Projeções de demanda mineral, baseadas em diferentes modelos, vêm se tornando ferramentas cada vez mais relevantes para antecipar os desafios associados às cadeias de suprimentos. Adicionalmente, elas permitem analisar como a geopolítica pode se reconfigurar diante da crescente importância de determinados minerais.
Muitos desses modelos apontam para um alto potencial de escassez no fornecimento de minerais críticos, e alguns demonstram que a demanda pode crescer a ponto de se aproximar ou até exceder as reservas conhecidas.
Essas limitações não se restringem à disponibilidade geológica: elas envolvem fatores econômicos, tecnológicos e temporais, dado o longo prazo necessário para o desenvolvimento de novos projetos minerários.
Assim, a potencial escassez na oferta pode atuar como um importante gargalo à velocidade da transição para energias renováveis – principalmente, por causa dos longos prazos necessários para o desenvolvimento de novos projetos minerários (frequentemente, superiores a uma década).