A história da fascinante descoberta da rapamicina inicia-se há mais de 60 anos, mais precisamente, em 1964, com uma expedição à ilha Rapa Nui, também denominada Ilha de Páscoa, localizada a 3.700 quilômetros da costa do Chile. Até então, a ilha era conhecida como o local habitado mais isolado do mundo, contando com aproximadamente mil habitantes em dezembro daquele ano.
Com uma equipe composta por cerca de 40 médicos e cientistas, a Expedição Médica Canadense à Ilha de Páscoa (M.E.T.E.I.) durou três meses (de dezembro de 1964 a fevereiro de 1965). A viagem previa vários objetivos e atividades em diversas áreas, concentrando-se em investigações relacionadas a ecologia aplicada, sociologia, antropologia, genética, microbiologia e epidemiologia.
Os dois principais pesquisadores que conduziram a expedição foram o cirurgião e cancerologista canadense Stanley Skoryna (1920- 2003), da Universidade McGill, e o microbiologista húngaro-canadense Georges Nógrády (1919-2013), da Universidade de Montreal, ambas no Canadá. O propósito era estudar o papel relativo dos fatores ambientais e hereditários em uma população isolada, observando como esta se adaptava aos estresses causados pelo entorno.