Realidade aumentada leva animais à sala de aula

Criado por professores de biologia, aplicativo para smartphone traz uma nova possibilidade para observar artrópodes no ambiente escolar.

Adotar metodologias que favoreçam o interesse dos alunos pelos conteúdos ensinados é um dos desafios atuais dos professores voltados a estratégias de ensino que estimulem a autonomia e a imaginação.  Ao tratar do tema ‘reino animal’ nas aulas de biologia, há um obstáculo: as normas do Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade (SISBio) dificultam, para o docente da educação básica, a coleta ou captura de espécies de animais silvestres com fins pedagógicos. A saída pode vir pela tecnologia: um aplicativo de realidade aumentada (RA) pode contribuir para apresentar o conteúdo de maneira dinâmica e próxima da realidade, sem ferir as regras do meio.

 

Como funciona a realidade aumentada?

A RA é considerada uma particularização de um conceito mais geral, denominado realidade misturada, que consiste na sobreposição de ambientes reais e virtuais, em tempo real, por meio de um dispositivo tecnológico com câmera, como os smartphones, muito presentes entre os estudantes e que estão sendo incorporados às salas de aulas, associando-se à caneta, ao caderno e ao livro.

Para que a RA funcione em um smartphone, é necessária a construção de um aplicativo (app) que reúna “objetos” virtuais e os associe a imagem, posição geográfica ou a outro objeto do mundo real, que será detectado pela câmera do aparelho. O app precisa detectar um marcador para conseguir projetar os objetos virtuais 3D ou qualquer outra mídia. Assim, o usuário poderá ver o objeto virtual inserido seu ambiente por meio da tela do dispositivo. Na prática, a RA é capaz de fundir objetos virtuais ao mundo real.

Visualizando artrópodes

Dentre as muitas possibilidades de aplicações, experimentamos a RA com o filo dos artrópodes, grupo de grande diversidade e que representa em torno de 89% de toda a fauna conhecida do mundo. Foi possível perceber que essa tecnologia pode ser um auxílio pedagógico nas abordagens tanto de taxonomia e morfologia do grupo em si, quanto para apreensão de conceitos mais abrangentes da biologia, como a evolução e as relações filogenéticas entre as diferentes espécies.

Para a construção do RA do filo dos artrópodes – o AR3D Arthropoda –, foram necessários um notebook (com o sistema operacional Windows na sua versão 10) e os programas da Unity 3D (Personal), utilizados em suas versões gratuitas. Estes programas são um ambiente de desenvolvimento integrado voltado para o desenvolvimento de jogos e app de visualização 3D. Na sua biblioteca de arquivos, foi adicionado um pacote de arquivos da Vuforia que traz um kit de desenvolvimento de software, permitindo aos desenvolvedores sem muito conhecimento em programação criar facilmente aplicações RA. O programa Adobe Photoshop foi usado para o desenho das imagens dos marcadores.

Ao longo de sua construção, o app foi disponibilizado em versões iniciais a professores de biologia da educação básica, para realizarem aplicações com seus alunos. Por meio de suas impressões, foi possível realizar ajustes nas suas configurações iniciais para gerar sua versão atual.

 

Como usar o aplicativo?

O AR3D Arthropoda é um app gratuito, estruturado para dispositivos móveis com sistema operacional Android e capaz de combinar elementos virtuais em 3D de 60 espécies de Artrópodes com o ambiente real, por meio de cards, usados como marcadores de RA.

Aplicativo em realidade aumentada AR3D Arthropoda em funcionamento

 

O link de instalação deste aplicativo, bem como o seu manual de instruções está disponível para download no blog Eu Não Entendo Biologia. O material consiste em um guia para instalação e uso, além de duas sugestões de aplicações no ensino básico.

 

Código QR para acessar o AR3D Arthropoda no blog Eu Não Entendo Biologia

 

Criado para ser um recurso educacional, o AR3D Arthropoda propicia aos professores total liberdade de criar e testar sequências didáticas que atendam às suas necessidades pedagógicas. Evidentemente, é esperado que os docentes dominem o conteúdo a ser ministrado para estabelecer momentos de intervenção e discussão, envolvendo a realidade de seus alunos, a fim de despertar neles a vontade de construir e aprofundar os conhecimentos, promovendo o aprendizado em sua continuidade.

O crescimento do uso de dispositivos móveis com finalidades educativas tem trazido ganhos enormes ao processo ensino-aprendizagem. Por permitirem uma interatividade do usuário com ambiente real, apps em RA são uma alternativa para despertar o interesse dos alunos por entender os mais diversos temas do ensino básico.

Fabiano Reis da Silva e Jackson Costa Pinheiro

Mestrado Profissional em Ensino de Biologia (Profbio),
Universidade Federal do Pará

Matéria publicada em 03.01.2020

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