Riscos da repetição de La Niña

Secas intensas no Sul e chuvas acima da média no Nordeste durante o verão brasileiro podem ser resultado de um fenômeno conhecido como La Niña, no qual ocorre um resfriamento das águas superficiais do oceano Pacífico próximo à linha do equador, o que afeta o clima de todo o planeta. O último episódio, que ocorreu de meados de 2020 até o primeiro trimestre de 2021, pode se repetir no próximo verão. Embora sua intensidade deva ser fraca, outros fatores climáticos podem se sobrepor ao fenômeno e causar impactos socioeconômicos preocupantes.

El Niño-Oscilação Sul (Enos) é o padrão de teleconexão mais conhecido no mundo, e afeta o tempo e o clima em todo o globo. O conceito de teleconexão vem de conexão à distância, ou seja, uma alteração num local ‘A’ influencia o tempo e o clima em locais muito distantes de ‘A’. No caso do Enos, ele está relacionado a alterações, tanto no oceano quanto na atmosfera, na região do Pacífico Equatorial. Isso é chamado de interação oceano-atmosfera. 

Tais alterações promovem mudanças na circulação geral da atmosfera, que se propagam através de ondas – sim, também temos ondas na atmosfera – até diversas regiões do globo, incluindo o Brasil. La Niña é a fase negativa do Enos, na qual ocorre um resfriamento das águas do oceano Pacífico próximo ao equador. Na fase positiva, ocorre o oposto e é chamada de El Niño.

Fernanda Cerqueira Vasconcellos
Departamento de Meteorologia
Universidade Federal do Rio de Janeiro

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