Um ‘falso fóssil vivo’ no Pampa?

Planta considerada localmente extinta foi redescoberta no sul do Brasil. Achado indica a necessidade de conservação dessa espécie no país.

Nos últimos 122 anos, foram encontradas cerca de 350 espécies de animais consideradas anteriormente extintas (em média, três espécies por ano), a maioria delas nos trópicos. Não é possível fazer uma comparação similar com os vegetais. Mas, recentemente, foi encontrada no Rio Grande do Sul (RS) uma planta que os botânicos acreditavam não mais existir nesse estado e que foi alvo de busca pelos últimos 60 anos.

O ‘falso fóssil vivo’ é uma planta conhecida pelo nome científico Neptuniapubescens Benth., da família das leguminosas – a mesma de espécies utilizadas na nossa alimentação, como o feijão, a soja e o amendoim, e também da árvore que deu nome ao Brasil, o pau-brasil. Apesar de ser uma espécie considerada ameaçada no país e estar incluída no Livro Vermelho do Brasil como espécie vulnerável (VU), a Neptuniapubescens pode ser encontrada desde o sul dos Estados Unidos até a Argentina. No Brasil, ocorre no Mato Grosso do Sul (MS) e no Rio Grande do Sul (RS), porém era considerada extinta neste último estado pelos especialistas locais, tendo em vista a inexistência de registros nas últimas seis décadas e a degradação de seu habitat (os campos do bioma Pampa). No Rio Grande do Sul, seu registro se limitava ao município de São Gabriel, sendo as áreas úmidas, como banhados e campos úmidos, seu provável habitat.

Fernanda Schmidt Silveira

Programa de Pós-Graduação em Botânica
Universidade Federal do Rio Grande do Sul

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