Caminhos e descaminhos da democracia no Brasil

Instituto de Filosofia e Ciências Sociais
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Em junho de 2013, ocorreram várias mobilizações populares que levaram às ruas  milhões de brasileiros em mais de 500 cidades do país. As reivindicações iam da tarifa zero para o transporte público ao fim da violência policial, mas, sobretudo, destacou-se certa repulsa direcionada às instituições políticas e um forte sentimento anticorrupção. Neste ensaio, propomos uma nova interpretação para entender o impacto daqueles dias em tudo o que viveu a democracia brasileira na última década.

CRÉDITO: ILUSTRAÇÕES LUIZ BALTAR

Estamos acostumados a delimitar, no pensamento, os fenômenos da vida política e social. Como se para compreendê-los não existisse outro caminho que o da distinção analítica. É imenso, e tido como inexorável, o esforço de impor limites, circunscrever dimensões espaciais e temporais, incluir num circuito de causas e efeitos. Esse é o método familiar para produzir conhecimento, para explicar tudo aquilo que é da ordem da intransparência. 

As jornadas de junho de 2013, como qualquer outro evento que desperta curiosidade e impacta nossa vida de formas óbvias e insuspeitas, costumam passar por esses filtros corriqueiros de inteligibilidade. E, se é verdade que a democracia brasileira viveu seus piores momentos justamente nos anos que se seguiram à efervescência de junho, torna-se então inevitável deduzir dessa sequência cronológica algum tipo de relação causal. 

Essa é a razão pela qual cientistas sociais das mais variadas correntes e inclinações estão há dez anos tentando decifrar o enigma: demarcam-se datas, refina-se uma cronologia dia a dia, analisam-se diferenças geográficas, estabelece-se uma fronteira entre junho de esquerda e junho de direita, define-se minuciosamente a anatomia dos inúmeros movimentos sociais presentes nas ruas etc. 

Com esse hercúleo engajamento epistemológico coletivo, muito já foi esmiuçado. Mas há algo em junho de 2013 que resiste ao imperativo das distinções – e talvez resida ali, nesse ponto avesso a esquadrinhamentos, uma frutífera chave interpretativa para pensarmos o impacto daqueles dias em tudo o que viveu a democracia brasileira na última década.

Mas há algo em junho de 2013 que resiste ao imperativo das distinções – e talvez resida ali, nesse ponto avesso a esquadrinhamentos, uma frutífera chave interpretativa para pensarmos o impacto daqueles dias em tudo o que viveu a democracia brasileira na última década

CONTEÚDO EXCLUSIVO PARA ASSINANTES

Para acessar este ou outros conteúdos exclusivos por favor faça Login ou Assine a Ciência Hoje.

Seu Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Outros conteúdos desta edição

725_480 att-82505
614_256 att-82607
725_480 att-82649
725_480 att-82550
725_480 att-82725
725_480 att-82702
725_480 att-82746
725_480 att-82540
725_480 att-82496
725_480 att-82567
725_480 att-82786
725_480 att-82731
725_480 att-82636
725_480 att-82670
725_480 att-82663

Outros conteúdos nesta categoria

725_480 att-81551
725_480 att-79624
725_480 att-79058
725_480 att-79037
725_480 att-79219
725_480 att-88039
725_480 att-88270
725_480 att-88187
725_480 att-88170
725_480 att-87831
725_480 att-87559
725_480 att-87613
725_480 att-87589
725_480 att-87306
725_480 att-87325