O mundo ‘sonoro’ das tartarugas

Wildlife Conservation Society – WCS Brasil

Conhecidos popularmente como tartarugas, cágados e jabutis, os quelônios são um dos grupos mais fascinantes do reino animal. Sua história evolutiva remonta a pelo menos 260 milhões de anos. Ao longo desse tempo, eles mantiveram o casco como sua forma corporal característica. Nas diferentes fases da vida desses animais, o som desempenha papel fundamental: eles usam a vocalização em interações sociais, tanto no ambiente terrestre quanto aquático, na reprodução e em estratégias de sobrevivência. Este artigo explora a comunicação acústica em quelônios, com destaque para o caso da tartaruga-da-amazônia, e mostra descobertas recentes na área.

CRÉDITO: ADOBE STOCK

Figura 1. Filhotes de tartaruga-da-amazônia durante o nascimento em grupo

CRÉDITO: CAMILA FERRARA

Os quelônios têm uma estratégia de vida peculiar, em que os estágios iniciais apresentam elevada mortalidade, mas, na fase adulta, a mortalidade é muito baixa. Apesar de atingirem a maturidade sexual tardiamente, entre 5 e 25 anos, a depender da espécie, são altamente fecundos e vivem por bastante tempo (alguns podem passar dos 150 anos), garantindo a perpetuação das espécies.

Esses animais desempenham um papel fundamental nos ecossistemas onde vivem. Eles contribuem para a ciclagem de nutrientes – atuando em diferentes níveis da cadeia alimentar, auxiliam na dispersão e germinação de sementes, além de promover a bioturbação, processo de remeximento e alteração do solo por organismos vivos. 

Entretanto, apesar de os quelônios possuírem uma longa história de existência na Terra e de prestarem importantes serviços ecológicos, atualmente são considerados um dos grupos de vertebrados mais ameaçados do planeta. Pelo menos metade das 357 espécies existentes estão sob algum grau de ameaça. 

As principais ameaças estão relacionadas à comercialização dos indivíduos e seus ovos para consumo, para uso medicinal e para criação como animais de estimação. Além disso, as espécies estão ameaçadas por impactos decorrentes do aquecimento global, desmatamento e construção de hidrelétricas.

Embora os quelônios sejam bastante conspícuos, acreditava-se que sua comunicação se baseava principalmente em sinais visuais, táteis e olfativos. Provavelmente, isso se deve à antiga suposição de que esses animais tinham pouca sensibilidade auditiva e que os sons emitidos por eles eram apenas ruídos acidentais sem importância comportamental. No entanto, pesquisas recentes vêm demonstrando consistentemente que os quelônios usam o som para se comunicar, tanto no ambiente terrestre quanto no aquático.

Pesquisas recentes vêm demonstrando consistentemente que os quelônios usam o som para se comunicar, tanto no ambiente terrestre quanto no aquático

CONTEÚDO EXCLUSIVO PARA ASSINANTES

Para acessar este ou outros conteúdos exclusivos por favor faça Login ou Assine a Ciência Hoje.

Outros conteúdos desta edição

725_480 att-94863
725_480 att-94764
725_480 att-94662
725_480 att-94703
725_480 att-94726
725_480 att-94811
725_480 att-94793
725_480 att-94784
725_480 att-94683
725_480 att-94684
725_480 att-94624
725_480 att-94642
725_480 att-94694
725_480 att-94719
725_480 att-94634

Outros conteúdos nesta categoria

725_480 att-81551
725_480 att-79624
725_480 att-79058
725_480 att-79037
725_480 att-79219
725_480 att-96813
725_480 att-96531
725_480 att-96699
725_480 att-96650
725_480 att-96338
725_480 att-96191
725_480 att-96156
725_480 att-96109
725_480 att-95847
725_480 att-95770