A origem geológica do fósforo, elemento essencial para fertilizantes agrícolas

Faculdade de Geologia
Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Além da tragédia humana de grandes proporções, a invasão da Ucrânia pela Rússia trouxe outra notícia preocupante (inclusive, para o Brasil): esses dois países em guerra são grandes fornecedores do elemento químico fósforo, essencial para a fabricação de fertilizantes agrícolas. O cenário se agrava ainda mais pelo fato de o fósforo – cuja projeção atual de consumo promete ultrapassar a de produção – ter pouquíssimos depósitos ao redor do mundo.

Fertilizantes – ou adubos, como são popularmente conhecidos – são usados pela agricultura de larga escala e pelo pequeno produtor, para deixar o solo mais rico em minerais nutrientes que favorecem o crescimento rápido e saudável de vegetais.

Os compostos fertilizantes podem ser de origem orgânica, mineral ou mista. Os primeiros são restos e rejeitos de vegetais ou animais, como ossos, folhas em decomposição, esterco animal ou sobras de sementes, frutas ou cascas. Os minerais ou mistos – estes últimos, com componentes orgânicos e inorgânicos – são essenciais para a agricultura de larga escala, porque podem ser produzidos em quantidades industriais.

Os principais componentes dos fertilizantes minerais são compostos contendo os elementos químicos nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K), que podem ser combinados em diferentes proporções para fabricar os fertilizantes do tipo NPK, dependendo da necessidade do solo a ser tratado.

Entre esses componentes, o fósforo é imprescindível, pois é crucial para que as plantas completem seu ciclo de vida e, portanto, para que atinjam a maturidade quando a colheita é feita – seu papel pode ser comparado ao do fermento para o crescimento de um bolo.

Além de ser o ingrediente mais importante dos fertilizantes NPK, o fósforo é também o mais raro, estando presente em pouquíssimos depósitos ao redor do mundo.

Situação agravada

Recentemente, a discussão sobre a demanda de fertilizantes tem ganhado destaque na mídia mundial. Isso se dá basicamente pelos seguintes fatores: i) crescente volume das atividades de macroagricultura no Brasil; ii) alta dos preços dos fertilizantes; iii) escassez insumos para sua fabricação – estes eram importados principalmente da Rússia e Ucrânia, que se encontram em guerra.

Mesmo que o Brasil seja um dos principais produtores mundiais de fósforo, há um abismo que nos separa dos três países que detêm os principais depósitos. A principal razão é que os teores do minério fosfático de origem magmática – como é o caso do Brasil – tendem a ser menores do que os de origem sedimentar.

A situação do Brasil se agrava pelo fato de o país importar 90% do potássio necessário para produzir fertilizantes NPK e de os solos brasileiros serem em geral mais pobres do que os de outros países, o que demanda maior quantidade de fertilizantes e mais eficiência em seu uso.

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