Mais do que contar a história de uma pesquisadora e mostra as ameaças a esses animais, obra revela como ciência, dedicação e coexistência podem transformar olhar sobre biodiversidade
Mais do que contar a história de uma pesquisadora e mostra as ameaças a esses animais, obra revela como ciência, dedicação e coexistência podem transformar olhar sobre biodiversidade
CRÉDITO: DIVULGAÇÃO

Em tempos de abundância de documentários com fácil acesso pelo streaming, o ritual de se reunir em uma sala de exibição para assistir a um filme sobre conservação – ainda mais com personagens brasileiros – é um grande privilégio. É o caso de Anta – O filme, que já passou por salas de cinema de cidades como Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Vitória (ES) e Campo Grande (MS) e segue com exibições especiais em festivais – foi, inclusive, selecionado para dois internacionais, o Wildlife Conservation Film Festival e o Toronto Woman Film Festival. O público que tem assistido à produção não é o que normalmente se reúne em uma sessão de cinema. São pesquisadores, estudantes, gestores, conservacionistas e pessoas que dedicam suas vidas à conservação da biodiversidade.
Por meio de imagens e narrativas que se entrelaçam, acompanhamos durante 80 minutos os mais de 30 anos de dedicação da pesquisadora Patrícia Medici, coordenadora da Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (Incab), em conhecer a biologia das antas em diferentes cenários, a fim de conservá-las.
Maior espécie sobrevivente dos grandes mamíferos sul-americanos, a anta é considerada um dos grandes jardineiros dos biomas brasileiros. Ela caminha por longas distâncias – oito a dez quilômetros por noite! – em busca de alimentos, comendo frutos inteiros e deixando as sementes adiante, inclusive as grandes, que quase nenhum outro bicho engole. Mas, ameaçados, esses grandes dispersores são os primeiros a desaparecer, assim como as plantas que dependiam deles para germinar.
Mas o filme está longe de ser apenas um documentário científico sobre a ecologia da espécie ou sobre os desafios de convivermos com o maior mamífero terrestre da América do Sul. Ele nos leva ao cotidiano de quem escolheu dedicar a vida a essa causa, revelando emoções, dúvidas, dilemas, persistência e olhares lançados para um futuro ainda incerto. Um cotidiano muito mais duro e difícil do que se costuma romantizar sobre as pessoas que trabalham com conservação.
A direção e a fotografia conduzem o espectador por momentos intensos, tensos e, ao mesmo tempo, delicados: desde a proximidade dos encontros com as antas até imagens aéreas que revelam as profundas transformações do uso da terra e seus impactos em larga escala sobre os biomas brasileiros.
Esse constante jogo de escalas, do olhar atento para um indivíduo ao panorama das paisagens em transformação, nos faz mergulhar nas complexas relações entre pessoas e biodiversidade, mostrando os diferentes papéis que cada um desempenha nessa grande rede de interdependências. E faz isso com uma linguagem acessível, não hermética e, ao mesmo tempo, não simplista.
O documentário foge da armadilha narrativa da saga de uma única pesquisadora, oferecendo respostas simples para problemas complexos – algo muito comum em tempos de personalismo e romantização. Pelo contrário, a trajetória de Patrícia Medici nos conecta a uma dimensão de esperança, construída não pelo heroísmo individual, mas pela dedicação, pela ciência, pelas parcerias e pela crença de que é possível construir um mundo mais justo e uma coexistência mais harmoniosa entre as espécies.
Traz-nos os desafios de entender como uma espécie se relaciona com uma teia complexa de interações, sofrendo diferentes pressões em cada bioma em que ocorre, através da busca de dados robustos para embasar estratégias.
O documentário segue o esforço de entender o contexto da conservação da anta em diferentes paisagens, desde o local que relata o primeiro encontro da anta com os humanos (as pinturas rupestres do Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí) até a complexa convivência deste animal com paisagens “infernais”. As populações de antas diminuíram drasticamente devido a fatores como caça, destruição e alteração de seu hábitat. Originalmente ocorrendo em todo o Brasil, hoje está extinta ou com populações muito reduzidas em algumas áreas.
No documentário, Patrícia procura as antas em paisagens com diversos graus de degradação, desde no “paraíso” do Pantanal até na Caatinga e em áreas de mineração na Amazônia paraense. Oscilando entre a esperança e a preocupação, vemos o grande esforço no entendimento da situação dessas populações, preocupando-se com a saúde dos indivíduos dessa espécie que desempenha o papel fundamental de dispersar grandes sementes de plantas importantes para a manutenção das comunidades animais.
Diferentemente de muitos documentários que reforçam uma divisão entre o mundo dos animais selvagens e o dos seres humanos, Anta – O filme mostra que essas histórias são inseparáveis. Nossas escolhas, nossas formas de produzir e de ocupar a terra moldam profundamente o destino desses animais e, ao mesmo tempo, o nosso próprio futuro.
Vê-los em seu habitat conduz o filme a momentos de rara sensibilidade, em que os olhares de humanos e antas se encontram e nos convidam a refletir sobre o futuro que ainda podemos construir juntos.
Projeto higienista da Primeira República no Rio de Janeiro no início do século 20 buscava criminalizar formas de cultuar o sagrado de africanos e afrodescendentes. Suas vestimentas, porém, podem ser vistas como traços de memória, beleza e resistência
Não os vemos no dia a dia. Mas eles estão lá, em celulares, computadores, turbinas, motores etc. Os materiais magnéticos – principalmente, na forma de ímãs diminutos e potentes – são a força invisível que tem impulsionado nossa viagem rumo a um futuro sustentável
A técnica de ‘edição de bases’ já mostrou, em animais, eficácia no tratamento de anemias, distrofias, surdez congênita, entre outras afecções. Mas ela precisa de rigor técnico e responsabilidade ética urgentes para aplicação em humanos.
Documentário mostra a busca de uma comunidade quilombola pela recuperação de sua história, sua cultura e sua identidade, aliada aos esforços pela construção de um projeto escolar antirracista e integrado aos saberes e práticas tradicionais
| Cookie | Duração | Descrição |
|---|---|---|
| cookielawinfo-checkbox-analytics | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Analytics". |
| cookielawinfo-checkbox-functional | 11 months | The cookie is set by GDPR cookie consent to record the user consent for the cookies in the category "Functional". |
| cookielawinfo-checkbox-necessary | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookies is used to store the user consent for the cookies in the category "Necessary". |
| cookielawinfo-checkbox-others | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Other. |
| cookielawinfo-checkbox-performance | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Performance". |
| viewed_cookie_policy | 11 months | The cookie is set by the GDPR Cookie Consent plugin and is used to store whether or not user has consented to the use of cookies. It does not store any personal data. |