Em um mundo cada vez mais monitorado, o grande desafio é garantir que o direito de observar e interpretar não se torne privilégio de poucos
Em um mundo cada vez mais monitorado, o grande desafio é garantir que o direito de observar e interpretar não se torne privilégio de poucos
CRÉDITO: ADOBE STOCK
Durante a última década, uma geração de pesquisadores, estudantes e desenvolvedores se acostumou a trabalhar com uma aparente abundância de informação geográfica. Bastava abrir uma plataforma, criar uma conta e acessar mapas, imagens de satélite, ferramentas de processamento e serviços de localização. Mas essa infraestrutura, aparentemente gratuita, nunca foi completamente pública. Depende, em grande medida, de empresas capazes de decidir quais dados oferecer, sob que condições e por quanto tempo.
O debate sobre dados abertos também revela uma questão mais profunda: quem tem o direito de conhecer o mundo em que vive? Afinal, quem controla os dados controla a forma de ver o mundo. Se informações sobre florestas, cidades, rios, oceanos e mudanças ambientais forem controladas por poucos atores, teremos o poder de interpretar esses fenômenos e tomar decisões sobre eles de forma concentrada e desigual. A democratização dos dados geoespaciais é, nesse sentido, uma democratização da capacidade de produzir conhecimento.
Talvez estejamos entrando em uma nova fase da observação da Terra, em que não basta mais lançar satélites cada vez mais sofisticados. É igualmente necessário construir políticas, infraestruturas e redes capazes de garantir que os dados produzidos possam continuar sendo utilizados para a ciência, a educação e o interesse público. O que em resumo significa que em um planeta cada vez mais monitorado, o grande desafio pode não ser apenas gerar mais informação, e sim garantir que o direito de observar, compreender e interpretar o mundo não se torne um privilégio de poucos.

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