Conhecer para representar ou representar para conhecer?

Representar a realidade e medir alguns de seus elementos exige mudanças de escala e de ponto de vista. O que parece trivial, em um primeiro momento, exigiu muitos experimentos e desenvolvimentos tecnológicos.

Sempre foi de grande importância a representação da realidade através de quadros que atendam a necessidades relativas à compreensão espacial e à medição de objetos e/ou fenômenos que possam ser apreendidos visualmente. Esses quadros auxiliam na intercomunicação de narrativas que vão além da própria representação, sendo muitas vezes instrumentos de interpretação por carregarem formas particulares de leitura e de transposição de conhecimentos associados a um determinado momento histórico. Não é a toa que mudam com o tempo.

A Geografia constituiu sua história por meio dessas representações. Se fizermos uma viagem no tempo observando as formas de representação do mundo, é possível reconhecer que esses quadros inicialmente estiveram associados exclusivamente a mapas (e olha que temos uma gama bem diversificada deles!) e, apenas mais recentemente, foram incluindo um amplo espectro de imagens – sejam elas terrestres, aéreas ou orbitais. Assim, tanto a cartografia quanto o sensoriamento remoto são considerados, por excelência, importantes formas de representação espacial.

Carla Madureira Cruz

Departamento de Geografia
Instituto de Geociências
Universidade Federal do Rio de Janeiro

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