Tão presente nos dias de hoje no Brasil, a intolerância religiosa foi intensa e violenta em nosso passado colonial. Naquela época, na Europa, acreditava-se na ação efetiva de demônios e bruxas. A mentalidade mágica fazia parte do cotidiano da sociedade, e havia a crença de que indivíduos tinham poderes sobrenaturais para curar doenças ou, por meio de ‘feitiços’, fazer o bem ou o mal. Com a colonização portuguesa, a partir do século 16, chegaram aqui homens e mulheres que alimentavam essas crenças e praticavam ritos que, aos poucos, ganharam força e se difundiram pela nova sociedade que se construía no Brasil.
Muitos intelectuais – religiosos ou não – escreveram obras sobre a influência de Deus e o Diabo na vida das pessoas. A grande preocupação eram as influências ‘demoníacas’; e todos aqueles apontados como seguidores desse grande personagem, o Diabo, eram marcados como bruxos ou feiticeiros e, portanto, considerados hereges. Herege era todo aquele que tinha uma crença ou prática contrária às doutrinas da Igreja Católica. Por isso, a instituição não media esforços para persegui-los.
O auge dessa violenta repressão à feitiçaria na Europa, de modo geral, ocorreu entre 1560 e 1630, acompanhado por uma vasta quantidade de publicações sobre o tema, principalmente no centro e no norte do continente. Só na França, na segunda metade do século 16, foram escritos mais de 30 tratados por teólogos e juristas. Em Portugal, menos textos foram escritos em comparação com o restante da Europa. Ainda assim, existiram e enfatizaram, principalmente, a descrição de um pacto demoníaco, ocasião em que o Diabo seduzia o indivíduo com poderes sobrenaturais, riquezas, habilidades curativas ou dotes divinatórios, em troca de sua subserviência, de sua alma, sendo esse compromisso expresso por alguns símbolos, como sangue, partes do corpo, como dedos e unhas – e outros, ofertados ao seu futuro servo, como anéis.
Daniela Buono Calainho
Faculdade de Formação de Professores,
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
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