A ideia de que apenas seres humanos usam remédios é equivocada. Nas últimas décadas, pesquisadores que observam o comportamento animal (etólogos) descobriram algo surpreendente: muitas espécies utilizam plantas, argilas, insetos e até fungos para melhorar sua saúde. Esse comportamento recebeu o nome de zoofarmacognosia, termo que significa ‘conhecimento farmacológico dos animais’.
Embora pareça algo sofisticado, a zoofarmacognosia não é um comportamento raro ou excepcional. Pelo contrário: ela aparece em diferentes grupos, como primatas, aves, insetos, répteis e até mamíferos domésticos – cães e gatos, por exemplo, que mastigam e engolem capim para eliminar vermes intestinais ou para aliviar algum mal-estar estomacal.
O que antes era visto como simples ‘instinto’ hoje é entendido como um conjunto de estratégias evolutivas que ajudam os animais a sobreviver, combater doenças e aumentar suas chances de reprodução.