De Apollo a Artemis II, uma cientista brasileira na Nasa

Jornalista, especial para a Ciência Hoje

Inspirada por primeiras missões à Lua, astrônoma e geóloga planetária Rosaly Lopes lidera descobertas de vulcões ativos em luas do Sistema Solar e vibra com maior acesso de mulheres à ciência espacial

CRÉDITO: FOTO ACERVO PESSOAL

Quando o astronauta e engenheiro espacial estadunidense Neil Armstrong (1930-2012) deu o primeiro passo na Lua, em 1969, Rosaly Lopes era uma criança que acompanhava do Rio de Janeiro, onde morava com a família, aquele gigantesco salto para a humanidade. O programa Apollo exerceu tamanho fascínio sobre ela que inspirou uma carreira dedicada ao espaço. Na recente missão Artemis II, que levou quatro astronautas numa jornada de dez dias ao redor do lado oculto da Lua, Rosaly seguiu o marco histórico de perto. Astrônoma, geóloga planetária e vulcanóloga, ela é hoje cientista da agência espacial estadunidense, a Nasa, onde desenvolve pesquisas, gerencia programas acadêmicos e faz divulgação científica, para despertar em outras pessoas a ideia de também voar longe. 

“Estou aqui porque o programa Apollo me inspirou. Então é emocionante ver toda a comoção com a missão Artemis II e pensar como ela pode incentivar jovens a seguirem carreiras em ciência, tecnologia e engenharia”, conta Rosaly. “Nunca ninguém foi tão distante da Terra como esses astronautas. Eu os conheci e são pessoas simpáticas, humildes e, claro, extremamente competentes”.

Assim como a tripulação da Artemis II, formada por Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, Rosaly já quis ser astronauta. 

“Todos os astronautas na época eram americanos ou russos, e logo percebi que sendo brasileira, mulher e muito míope não ia conseguir. Mas, numa reportagem no jornal sobre a missão Apollo 13, soube de uma mulher chamada Frances “Poppy” Northcutt, que calculava as trajetórias para trazer as cápsulas de volta. A foto dela na sala de controle me impressionou. Pensei: ‘Bem, talvez não consiga ser astronauta, mas ainda posso trabalhar para o programa espacial’”, lembra. 

Na época, não havia uma área ampla de pesquisa espacial no Brasil. Mas Rosaly falava inglês, graças ao incentivo da mãe e, aos 16 anos, fez um curso de aperfeiçoamento do idioma na Inglaterra. Gostou tanto que decidiu voltar depois para fazer universidade. 

“Meus pais me apoiaram totalmente, e fui sozinha, com 18 anos. Me formei em Astronomia, depois me especializei em Geologia Planetária, e logo surgiu a oportunidade de fazer um pós-doutorado no JPL (sigla em inglês para Jet Propulsion Laboratory, o Laboratório de Propulsão a Jato, um dos principais da agência espacial estadunidense). Deu certo, e desde então são mais de 30 anos na Nasa”. 

Em paralelo com a pesquisa, Rosaly coordena os programas de pós-doutorado de estudantes que vão à agência espacial para um período acadêmico. Vários são brasileiros, e a participação de mulheres tem aumentado. Nos últimos anos, a pesquisadora colaborou com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), em projetos de Geofísica Espacial, incluindo o Ciência sem Fronteiras. Recentemente, participou ainda de um programa de residência científica no Instituto de Estudos Avançados (IdEA) da Unicamp.

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