O solo – muitas vezes, visto só como suporte para as atividades humanas – acaba tornando-se invisível no cotidiano, reduzido à condição de um substrato inerte. Contudo, uma pergunta simples – ‘Você conhece o chão onde pisa?’ – é um exercício provocativo, capaz de suscitar importantes reflexões sobre a importância desse recurso para a vida na Terra.
No senso comum, o solo – denominado terra, barro ou, na língua tupi-guarani, Yby – é, por vezes, equivocadamente associado à sujeira. Mas, do ponto de vista científico, é um sistema vivo, dinâmico e complexo, formado ao longo de milhares (e, em muitos casos, milhões) de anos, por meio da interação entre processos físicos, químicos e biológicos.
O solo abriga uma complexa comunidade de microrganismos e fauna edáfica (composta, em sua maior parte, por animais invertebrados), concentrando mais de 25% da diversidade de vida terrestre. Essa diversidade biológica é responsável por processos fundamentais, como a decomposição da matéria orgânica, a ciclagem de nutrientes, a formação e estabilização da estrutura do solo e o sequestro de carbono.
Sob nossos pés, há solos com perfis profundos, com camadas (horizontes) bem desenvolvidas, formadas, como dissemos, ao longo de milhares a milhões de anos, enquanto outros são rasos, jovens, ainda em formação.
E essa herança invisível do tempo manifesta-se na forma de características físicas que podemos aprender a interpretar. Para além do que se encontra sob nossos pés, é possível também desenvolver práticas de leitura visual, tátil e sensorial do solo, como estratégia de aproximação com esse componente fundamental da paisagem (figura 1).