No requebrado do maxixe,
as disputas sociais da cultura nacional

Você já ouviu falar do maxixe? Embora não seja muito conhecido no cenário cultural contemporâneo, esse ritmo agitava o Rio de Janeiro entre os anos 1870 e 1930. Nascido em reduto de pretos e mestiços e inicialmente chamado de imoral, o maxixe se tornou febre nos grandes teatros e bailes da cidade e projetou artistas negros ao estrelato. Acompanhar essa história é uma oportunidade de conhecermos um pouco mais sobre as várias disputas sociais que marcavam o campo cultural naquela época, evidenciando a relevância de fatores como classe social, gênero e raça nesse processo.

Na virada do século 19 para o século 20, um novo fenômeno agitava o cenário cultural urbano carioca. Denominada maxixe, a nova prática cultural estava disseminada por toda a cidade. Mas, afinal, de onde vinha aquela dança que, por seus movimentos coreográficos marcados pela liberação corporal e por muitos requebros e rebolados, era classificada pelos mais conservadores como “licenciosa e imoral”? A historiadora Martha Abreu, em seu livro Da Senzala ao Palco (2017), destaca a aproximação do maxixe com o “mundo musical afro-brasileiro, baseado no imaginário dos requebros”, ainda que não seja direta a associação do gênero às canções escravas, por não existirem evidências de sua presença nas senzalas.

Juliana da Conceição Pereira
Programa de Pós-Graduação em História,
Universidade Federal Fluminense

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