Biomimética, quando a natureza inspira a tecnologia

A natureza é sábia. Quem há de discordar da máxima que nos acompanha por séculos? Leonardo da Vinci estudou o voo das aves para desenhar máquinas voadoras. Chineses da Antiguidade fizeram suas tentativas de criar seda artificial. No mundo moderno, essas criações seriam exemplos da biomimética, área da ciência que estuda estruturas, materiais, compostos químicos e tudo mais que encontramos na natureza para criar novos produtos, tecnologias e muito mais, com potencial para melhorar a qualidade de vida com reduzido impacto ambiental.

CRÉDITO: FOTOS ADOBE STOCK

Em 1948, o engenheiro suíço George de Mestral (1907-1990) se exercitava com seu cachorro em uma trilha nos Alpes e, ao retornar para casa, percebeu que suas roupas estavam cobertas de sementes de bardana, uma planta local que tem essa propriedade chata de se agarrar aos tecidos, assim como o carrapicho e a pega-pega. Após cuidadosamente retirar as sementes, Mestral resolveu colocá-las em seu microscópio e percebeu que elas são decoradas com hastes, com pequenos ganchos nas pontas. Em um verdadeiro momento Eureka, o engenheiro imaginou que poderia produzir estruturas similares para criar um material capaz de se prender a tecidos. Em 1967, esse material foi utilizado pela NASA na missão Apolo I para prender objetos em gravidade zero, e, atualmente, pode ser encontrado em roupas, tênis, relógios, carteiras e muitas outras peças. Nós o conhecemos como velcro, e é um dos primeiros exemplos modernos da biomimética. 

Leandro Lobo
Instituto de Microbiologia Paulo de Góes
Universidade Federal do Rio de Janeiro

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