Biopirataria, uma ameaça à biodiversidade

O contrabando de escaravelhos para “torneios” de luta no Japão, a venda colmeias pela internet no Brasil, a introdução de coelhos infectados com um vírus na Austrália. Todas essas ações humanas – ilegais ou não – e tantas outras representam grave ameaça à biodiversidade por, muitas vezes, provocarem a disseminação de patógenos e inimigos naturais em regiões onde não há armas naturais para combatê-los.

O coronavírus é, assim como outros incontáveis patógenos, uma ameaça à espécie humana. Devido a complexas relações ecológicas e evolutivas, patógenos e seus hospedeiros vivem lutas intermináveis por sobrevivência e proliferação. Tais lutas são conhecidas no meio científico como coevolução, e é por causa delas que todo ano uma nova linhagem de gripe surge, por exemplo. Isso acontece porque os patógenos se adaptam, assim como o nosso corpo também encontra formas mais eficazes de superar suas ações nocivas.

Neste contexto difícil, em que a pandemia de covid-19 continua a fazer vítimas pelo mundo, nossa atenção e preocupação só aumentam. Este momento, portanto, é de suma importância para chamar a atenção para uma situação preocupante e não discutida com a profundidade e o cuidado que merece: a disseminação, via humanos, de patógenos que põem em risco a biodiversidade.

Antônio F. Carvalho

Instituto Nacional da Mata Atlântica (Santa Teresa-ES)

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