Quando os mamíferos se tornaram animais de ‘sangue quente’?

Museu Nacional/ UFRJ
Academia Brasileira de Ciências

Tomografias feitas em fósseis desse grupo e formas aparentadas demonstram que a capacidade de gerar calor e manter a temperatura corporal, tão importante para a adaptação a diferentes ambientes, surgiu há cerca de 233 milhões de anos

Brasilodon (à esquerda) e Riograndia (à direita), parentes próximos dos mamíferos encontrados em depósitos triássicos (225 milhões de anos) do Brasil. Enquanto Riograndia é considerado espécie ectotérmica, Brasilodon estava iniciando o desenvolvimento da endotermia

Crédito: Jorge Blanco

Hoje em dia, os mamíferos estão presentes nos mais diversos ambientes. São cerca de 5 mil espécies de formas e tamanhos diferentes, distribuídas em todos os continentes e mares do planeta e com um amplo espectro de modos de vida. Entre as explicações para essa grande diversificação está a capacidade que esses vertebrados desenvolveram de gerar calor e controlar a temperatura do seu corpo, denominada endotermia.

Animais endotérmicos como os mamíferos – e também as aves – são conhecidos como ‘de sangue quente’. Em contraposição, nos animais ‘de sangue frio’ (chamados de ectotérmicos), como peixes, anfíbios e répteis, a temperatura corpórea é diretamente dependente do ambiente externo.

A grande vantagem dos endotérmicos é não depender do ambiente tanto para adquirir calor, quanto para manter a temperatura corporal constante, o que é realizado pelo seu próprio metabolismo. Alguns outros poucos animais até conseguem gerar calor interno devido à intensa atividade muscular, como o atum e o tubarão branco, porém apenas os mamíferos e as aves geram calor em estado de repouso. Sem detalhar aqui, é importante ressaltar que a endotermia em aves e mamíferos surgiu de forma independente.

Graças à endotermia, os mamíferos são animais ativos, podendo se locomover por distâncias mais longas e mais rapidamente. Essa característica permite a ocupação de nichos noturnos e ambientes mais frios, além de manter processos fisiológicos dependentes da temperatura mais constante, como a ação enzimática. Até o cuidado da prole por tempo prolongado é, em parte, relacionado ao desenvolvimento da endotermia. Todas essas vantagens, no entanto, cobram um preço energético alto: animais endotérmicos necessitam de mais energia quando comparados aos ectotérmicos, ou seja, necessitam se alimentar mais e em tempos menos espaçados.

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