O que é a geogenômica e como ela pode impactar o conhecimento sobre a biodiversidade?

Departamento de Genética e Biologia Evolutiva
Instituto de Biociências
Universidade de São Paulo

CRÉDITO: ADOBE STOCK

O objetivo da geogenômica é compreender como mudanças no ambiente podem ter moldado a distribuição e a evolução das espécies que conhecemos hoje, inferindo as condições ambientais do passado a partir de dados de geologia, clima e genomas. Os dados genômicos, obtidos por meio do sequenciamento de DNA, permitem avaliar o parentesco evolutivo entre três ou mais espécies, tal como uma árvore que se ramifica em galhos. Assim como dois irmãos compartilham uma mesma mãe, duas “espécies-irmãs” descendem de uma mesma linhagem ancestral. É possível imaginar que algum evento de mudança no ambiente pode ter separado indivíduos da linhagem ancestral em dois grupos, que passaram a evoluir separadamente até formarem espécies distintas.

Podemos buscar evidências desse evento de mudança geológica e/ou climática na região onde essas espécies habitavam, na época da divergência entre elas (estimada por meio de ferramentas como o relógio molecular; CH 419]. Por exemplo, a origem da drenagem de um rio ou a diminuição da área de uma floresta úmida devido à redução prolongada das chuvas pode ter separado grupos de indivíduos da linhagem ancestral. Essas inferências dependem da integração de dados geológicos, como movimentações e elevações do solo e formação de montanhas, que podem criar vales por onde os rios passam a correr. Dados sobre a quantidade de energia solar que chega à superfície da Terra, que varia devido a fatores como a órbita em torno do Sol e a quantidade de gases de efeito estufa na atmosfera, são fundamentais para entender a dinâmica do clima ao longo de milhares ou milhões de anos e como era o paleoambiente, ou seja, o ambiente do passado.

A geogenômica é uma área que se inspira nos naturalistas do passado, que integravam dados biológicos e físicos, e que hoje reflete muito bem a frase “ninguém faz ciência sozinho”. É necessário haver colaboração entre biologia e ciências da terra para encontrar evidências, levantar e testar hipóteses sobre a dinâmica do nosso planeta e, quem sabe, reduzir nosso impacto negativo.

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