As muitas faces de Patrícia

Jovem e premiada, ela cogitou ser de publicitária a diplomata. Acabou sendo fisgada pela etnobiologia, mas carrega consigo a certeza de que poderia ser feliz em muitas outras áreas, desde que fosse no papel de cientista

Diferentemente de muitos cientistas que conheço, minha trajetória pela ciência não foi planejada desde cedo. Não tive em meu núcleo familiar pessoas que seguiram a carreira acadêmica. Então, eu não tinha claro como funcionava o processo de geração de conhecimento científico. Quando criança, a visão que eu tinha de um cientista era a de um homem branco e excêntrico, que fazia experimentos misturando líquidos em um tubo de ensaio ou que observava o universo com um telescópio. Mas, mesmo sem me dar conta na época , muitas das minhas brincadeiras já tinham a ver com o fazer científico.

Durante o ensino médio eu gostava de tantas coisas que me decidia por uma carreira diferente a cada mês. Minha ideia inicial era ser jornalista, como a minha irmã gêmea já queria. Mas, em parte por me interessar por outras áreas, em parte por querer criar uma identidade própria (o que é bem comum entre irmãs gêmeas univitelinas), passei a focar em outras possibilidades. Lembro-me de ter escolhido fazer publicidade, história, geografia, economia. Quando chegou mais perto do vestibular, havia me decidido pelo direito, porque queria ser diplomata e viajar pelo mundo. Depois eu me dei conta de que não queria ser diplomata pela carreira, e sim pela ideia de viver em diferentes lugares e conhecer culturas distintas. Por fim, comecei a perceber que tinha muito afinidade com as ciências ambientais e, por isso, optei pela biologia. Foi quase um “tiro no escuro”, mas que acabou dando muito certo. Costumo dizer que eu seria feliz em muitas outras áreas, desde que sendo cientista.

Sônia Guimarães
Instituto Tecnológico da Aeronáutica

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